Mdois realiza produção musical da final do campeonato brasileiro de League of Legends

A mdois produziu a trilha sonora da cerimônia de abertura da final do campeonato de League of Legends, um dos jogos multiplayers de ação mais populares do mundo. Para este ano, a produtora contou com a participação do músico e empresário Emicida (álbum “10 anos de triunfo”).


Diversos segmentos da economia criativa investem cada vez mais em jogos digitais e a produção musical é um dos pontos mais característicos dos eSports. A produtora mdois está nesse meio há apenas cinco anos e é parceira da empresa Riot Games na realização da trilha sonora do campeonato brasileiro de League of Legends (CBLOL), desde 2014.


Samuel Ferrari, produtor da mdois, explica que o trabalho feito em conjunto exige um grande empenho de todas as partes envolvidas no processo. Juntas, as empresas exploram as competências técnicas, artísticas e musicais de cada projeto, além do gerenciamento de pessoas, processos, administração financeira e resolução de problemas.


Em entrevista para o Brasil Music Exchange (BME), Samuel compartilha a experiência ao trabalhar com a RIOT e as perspectivas sobre produção musical no mercado nacional e internacional:


Como foi a experiência de realizar a produção musical do Campeonato Brasileiro de League of Legends?

O CBLOL é o tipo de trabalho que coloca toda nossa capacidade à prova: tanto sobre as competências musicais, artísticas e técnicas, quanto a capacidade de gerenciar pessoas, processos, administração financeira e resolução de problemas (de maneira rápida e precisa).


Por se tratar de um evento multimídia, interagimos sempre com diversas equipes e empresas, de vários tamanhos, e essa relação acaba sendo de muito aprendizado. Para nós, que não tivemos uma “educação empresarial” formal, que somos essencialmente músicos, o convívio com essas outras empresas tem sido muito saudável.


De qual forma ocorreu essa parceria?

Nós trabalhamos com a Riot Games desde 2014 e a parceria ocorreu por conta de uma indicação de um amigo animador.  No fim, não realizamos o trabalho para o qual nos indicaram, mas mantivemos o contato. Depois de alguns meses e um pouco de persistência, nos reunimos para falar de um outro trabalho e somos parceiros desde então. A Riot foi a empresa que levou o eSport para outro patamar. Para nós da mdois, tem sido um desafio e uma honra compartilhar um pedacinho dessa história aqui no Brasil.


Você acha que esse segmento de trilha sonora para jogos é uma tendência para as produtoras musicais?

Já faz alguns anos que o mercado de games mundial é maior que o de cinema, por exemplo. No Brasil, o mercado vem crescendo a cada ano e, graças aos editais criados para a área, a expansão é ainda maior. Nós frequentamos o BIG Festival desde 2014 e as oportunidades e o profissionalismos das pessoas que frequentam e palestram aumentaram brutalmente. A diferença é muito clara.


Esse crescimento acaba ajudando a economia criativa do nosso país de uma maneira geral e, assim, expandindo também o mercado de trabalho para profissionais de áudio, animação, programadores, gerentes de projeto, diretores de arte, etc. Indo mais diretamente à pergunta, percebemos  cada vez mais interesse de colegas de profissão na área, mas realmente poucos investem em conhecimento, tecnologias e, principalmente, em atualização. A “referência” para muita gente ainda é antiga, quando jogavam videogame na infância e não jogaram mais.


Para trabalhar na área, é muito importante conhecer as mecânicas de um jogo, mesmo em um nível básico, acompanhar as tecnologias, os jogos, e como o áudio é explorado nessa nova linguagem. Resumindo, é sim uma tendência para as empresas de aúdio, mas temos visto mais empresas iniciando suas atividades na área do que empresas fazendo uma “transição”.


Você vê o campeonato como uma fonte de atrair novos clientes?

Sim. O evento tem uma exposição gigante, chegando a bater até 2 milhões de pessoas se for somado streaming por Youtube, TV fechada e outros meios, o que acaba atraindo a atenção até de empresas que não fazem jogos, empresas de eventos e outras mídias como cinema ou TV. Acaba virando uma ótima janela para mostrar nosso trabalho.


Quais são os maiores desafios nas criações para as edições do show com a Riot Games?

Vemos dois desafios principais nos projetos. Como é um show multimídia e a música acaba assumindo um papel de “condução” do espetáculo, interagimos muito com outras equipes e alteramos o trabalho muitas vezes por conta de diversas questões técnicas e artísticas. Em 2017, por exemplo, trabalhamos por volta de seis meses em um show de 15 minutos e seguimos alterando (e melhorando) o material até um dia antes, literalmente. A segunda questão é a inovação. Criamos o tema musical do campeonato em 2014 e, para cada edição, fazemos novos arranjos, convidamos músicos diferentes, pesquisamos instrumentos em conjunto com a Riot. É sempre um desafio pensar “O que faremos de diferente neste trabalho?”.


Quais os planos da empresa para exportação? Fazer a produção para o campeonato internacional ou outros jogos?

Nós já participamos de um campeonato internacional e foi uma experiência ótima, aprendemos muito. Como o mercado de eSport está crescendo no país, é possível que outros jogos/campeonatos cheguem por aqui e criem outras oportunidades. Também temos frequentado cada vez mais eventos na área e isso já está atraindo alguns frutos internacionais. Esperamos botá-los em prática em breve. De uma maneira geral, entrar no mercado internacional é uma ótima oportunidade para nos avaliarmos e entendermos melhor nossa capacidade competitiva em relação a outras empresas.


A empresa mdois participa ativamente das ações promovidas pelo Brasil Music Exchange (BME), projeto de exportação de música brasileira realizado por meio de uma parceria entre a Brasil, Música & Artes (BM&A) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Confira a abertura do CBLoL 2018: