NOTÍCIA


DONA ONETE CONQUISTA IMPRENSA EUROPEIA

21/07/2017



Depois de emocionar plateias no ano passado em sua passagem pela Europa e Estados Unidos, conquistando nomes como Caetado Veloso e David Byrne, Dona Onete retornou ao continente entre 7 e 15 de julho para realizar shows na Alemanha, França e Holanda. “Estamos felizes por ter mostrado quase tudo que o nosso Pará tem em ritmo. Fizemos os gringos dançarem. Houve momentos em que pensávamos que era Belém”, declara emocionada a artista. Por mais uma vez, as apresentações mereceram elogios da imprensa local.

Entre os destaques, está a matéria de capa da revista de world music Songlines, uma das principais publicações do gênero no mundo, e críticas positivas nos jornais Evening Standard e Libération. A artista de 78 anos e sua banda apresentaram o som dançante do carimbó chamegado. Na setlist, estavam as músicas do álbum Banzeiro, lançado em 2016, que é o segundo da carreira da artista e está disponível para download e nas plataformas de streaming. 

 

Repercussão internacional

Em entrevista à rádio francesa RFI, a cantora brasileira conta os segredos das composições e relembra a infância e as imitações dos cantores Cauby Peixoto e Emilinha. A publicação destaca que “Dona Onete realiza sua própria interpretação do carimbó, ritmo tradicional do estado do Pará, no Norte do Brasil, somando guitarra elétrica e baixo aos típicos tambores indígenas. Ela também escreve letras com versos tocantes sobre amor e romance”. Ela também contou um pouco de sua trajetória pessoal: "as pessoas costumavam dizer que eu tinha uma voz bonita, que deveria ser cantora. Quando me casei, comecei a escrever músicas. Mas meu marido não me deixou mostrá-las ou cantá-las. Depois de 25 anos, decidi me divorciar, queria viver uma vida diferente”.

Já o Evening Standard destacou a energia da artista: “sua música não é nada como o samba, a bossanova ou a tropicalia do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Está mais perto de calipso e outros sons caribenhos - principalmente em suas batidas dançantes”. Para a revista britânica Songlines, Dona Onete é a Rainha da Amazônia e o álbum Banzeiro, uma coletânea de alegrias que ocupa o primeiro lugar na parada musical da publicação de julho e o 16°, na categoria world music.

A cantora também recebeu elogios do jornal francês Libération que destacou sua origem ribeirinha e amazonense, além de detalhar a longa trajetória como compositora, com mais de 350 músicas. “Há quatro anos, a septuagenária cruzou pela primeira vez as portas de um estúdio para gravar apenas um pedaço de sua obra, enraizada na região de Belém, capital do Pará”, comenta o texto, referindo-se à carreira tardia como intérprete.