NOTÍCIA


João Donato lança disco de inéditas após 15 anos

23/03/2016



No Brasil ou no exterior, João Donato dispensa apresentações: ícone da bossa nova, imprimiu uma batida original e única ao movimento. No alto de seus 81 anos, o músico lança Donato Elétrico, álbum de inéditas que traz participações de músicos da nova geração. Com muito groove e funk além de influências africanas e caribenhas, o álbum segue a linha da produção do músico nos anos 1970 em discos como A bad Donato e Donato/Deodato.

Ronaldo Evangelista, produtor do álbum, falou para o Brasil Music Exchange (BME) sobre a obra na entrevista abaixo.


BME - Em primeiro lugar, gostaria que contasse um pouco de como foi o processo de criação de Donato Elétrico.

Ronaldo Evangelista - A ideia do disco nasceu em uma conversa que tive com Donato no fim de 2013, quando ele comentou que gostaria de fazer um projeto dedicado a novas composições. Propus que fizéssemos o disco em São Paulo, com músicos novos, em um processo espontâneo, de desenvolvimento de temas e arranjos no estúdio, e com instrumentos elétricos. Ou seja, próximo dos discos que Donato fez nos anos 70, como "A Bad Donato" e "Donato/Deodato", com pianos elétricos e sintetizadores como Fender Rhodes, Clavinet e Moog, tudo bem quente, com bastante improviso e desenvolvido em madrugadas à vontade no estúdio. Uma certa metodologia antiga, para encontrar uma sonoridade novíssima: Donato, aos 81 anos, todo elétrico e tocando instrumentos elétricos. Passamos 2014 fazendo sessões de criação e desenvolvimento de arranjos, até chegarmos aos 10 temas do disco, que gravamos entre o começo e o meio de 2015.

BME - Um dos traços fortes do álbum é esse intercâmbio com uma nova geração de músicos que foram influenciados pelo trabalho do Donato. De que forma isso se deu?

RE - Foi uma das questões essenciais que propus para desenvolvermos o disco e encontrarmos um som novo, diferente, único: juntar uma turma de músicos novos de São Paulo, que tocam com alguns dos artistas mais interessantes da cena contemporânea, como Décio 7 e Marcelo Dworecki (cozinha do Bixiga 70), Guilherme Kastrup (percussionista, produtor do último disco da Elza Soares), Zé Nigro (que toca com Curumin, Anelis Assumpção, Russo Passapusso), Richard Fermino e Beto Montag (que tocam com o Otis Trio), Marcelo Cabral (baixista do Metá Metá e coprodutor dos discos do Criolo, fez um arranjo de cordas para a gente), etc. Ao longo dos encontros de criação, fui convidando músicos diferentes para tocar com Donato no estúdio, até encontrarmos a turma ideal para alimentar sua criatividade e instigar seus solos.

BME - Há planos de apresentar o álbum internacionalmente? Quando e onde?
RE - Há planos, mas ainda não previsão exata. Nossa meta é conseguir lançar internacionalmente em vinil e digital no começo do segundo semestre, aí firmarmos turnê no exterior.

Através da empresa Agogô Cultural, João Donato participa do BME, projeto de exportação de música desenvolvido pela Brasil Música e Artes (BM&A) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).
http://www.donatoeletrico.com/p/donato-eletrico-texto-encarte.html