NOTÍCIA


Nova coluna da BM&A

03/09/2014



O licenciamento de música é o futuro do music business. E o futuro é agora”. É assim que os autores Darren Wilsey e Daylle Deanna abrem o primeiro capítulo de seu livro “The Musician’s Guide to Licensing Music: How to Get Your Music into Film, TV, Advertising, Digital Media & Beyond”, de 2010.

Hoje em dia, mais que turnês ou venda de discos, o licenciamento para sincronização é uma das principais fontes de receita para o mercado da música. Gera rendas que vão além do licensing fee: há royalties de transmissão, de discos de trilhas sonoras, merchandising e performance.

Isso fora a exposição da obra do músico, que é outro benefício que se conquista através do licenciamento e que pode gerar novas fontes de renda. Diversos artistas desconhecidos decolaram depois que amantes de música ou mesmo marcas e empresas foram atrás de sua música em função de um filme, comercial, programa de TV ou game.

No Brasil, a YB é uma das empresas com maior presença na área de licenciamento de música. “Por incrível que pareça, o artista que não está em major ainda sofre alguma resistência no Brasil”, conta Mauricio Tagliari, produtor e um dos sócios da YB. “Tem sido mais fácil sincronizar no exterior, junto a alguns parceiros que temos. Há casos importantes, como nossos sinc mundiais para a Microsoft com Clube do Balanço e Juliana R. No mercado nacional, recentemente tivemos a Tulipa Ruiz para Natura”, conta.

Um parceiro internacional da YB é Eric Sheinkop, co-fundador da Music Dealers, uma das principais empresas de sincronização de música no mercado audiovisual. E que já tem um histórico recente de atuação no Brasil: durante a Copa, a Music Dealers contratou 20 artistas para ativações locais e também utilizou músicas de brasileiros em games da FIFA.

Eric veio recentemente ao Brasil participar do projeto Encounters do Brasil Music Exchange, que reuniu profissionais referência do mercado internacional de sincronização com o objetivo de proporcionar conexões com profissionais locais do mercado de música.

“Foi importante encontrar profissionais que são referência no mercado de música do Brasil e conhecer novos talentos. Temos muito interesse em expandir nossas relações com o país e promover a música brasileira no mundo”, analisa Eric.

Outro convidado do projeto foi Vincent Bannon, da Getty Images, que possui uma das maiores ferramentas de 
licenciamento de músicas online do mundo. A Getty está de olho no mercado brasileiro: já se associou a duas empresas locais e abriu um escritório em São Paulo. Christopher Mollere também integrou o time. Ele é Music Supervisor da Fusion Music Supervision, que trabalha diretamente na negociação de músicas para filmes, séries e comerciais no mundo todo.

Durante o evento, os três participaram de rodadas de negócio com empresas brasileiras, realizaram visitas técnicas e assistiram a showcases. A programação musical contou com os artistas Marcelo Guima, Supercombo, Vitrolla 70, Filarmônica de Pasárgada, Tó Brandileone e Moxine. Também foi realizado um workshop aberto ao público em que os convidados apresentaram seu trabalho e mostraram cases internacionais de licenciamento para sincronização de música no mercado audiovisual.

E os primeiros resultados gerados nesse encontro já são concretos: o músico Marcelo Guima, que se apresentou na programação de showcases, acabou de assinar um contrato com a Music Dealers.

No geral, o mercado brasileiro tem se mostrado um caminho promissor para  a sincronização. E o potencial de negócios é grande. A começar pelas Olimpíadas, que já estão atraindo os olhos do mundo para o Brasil novamente. “Já estamos recebendo solicitações de música brasileira há algum tempo”, conta Eric. “E esse interesse só vai crescer”.