NOTÍCIA


Produtores brasileiros buscam oportunidades de intercâmbio musical no Reino Unido

10/07/2012

Durante o período de estadia no primeiro semestre para os festivais de música do Reino Unido, como o The Great Escape, em Brighton, e o Liverpool Sound City, realizado na cidade que dá nome ao evento, produtores brasileiros tiveram a oportunidade de discutir junto com diferentes instituições culturais britânicas, novas ideias para promover a música brasileira no Reino Unido e melhorar a comunicação e intercâmbio entre as duas regiões.

O BRMusicExchange conversou com Iuri Freiberger, um dos produtores que participou dos festivais e encontros no Reino Unido durante este primeiro semestre. Ele explicou quais são os planos futuros para melhorar o relacionamento entre a música brasileira e o público britânico.

Freiberger é um produtor musical do sul do país que, durante os últimos anos, se dedica a projetos musicais no nordeste, concentrando seus esforços na cidade do Recife – conhecida por sua grande produção cultural. Nos últimos três anos, Iuri foi responsável pela implementação de um estúdio audiovisual, com um programa de cursos que inclui equipe especializada e boa estrutura em um espaço chamado de “Nascedouro de Peixinhos”, uma área carente, cercada por favelas, mas com uma considerável produção cultural. Agora ele está estudando a possibilidade de levar o projeto a outras regiões pobres do país, nos estados do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Quando você decidiu focar no público britânico?

Tudo começou com uma recomendação do Leo Feijo, um dos principais parceiros do Matriz, um grupo de teatro e espaços culturais na cidade do Rio de Janeiro. Ele me convidou para participar de uma missão de produtores brasileiros que iriam ao The Great Escape Festival, em Brighton, para vivenciar o festival e participar de encontros com produtores e diretores de instituições culturais britânicas. O objetivo deles é trazer as culturas brasileira e britânica a uma relação mais próxima, promovendo o intercâmbio de artistas e agências culturais, tudo focado na música.

E como exatamente este grupo de produtores agiu durante o evento?

Nós estávamos lá para assistir aos shows, ver o tipo de artista que interessa aos britânicos. Nós também tínhamos, durante o festival, alguns encontros de negócios com agentes e produtores britânicos. Fomos também a Londres depois disso, onde nos encontramos com algumas instituições culturais específicas para propor as reais possibilidades de negócios e conhecer melhor os incentivos britânicos de produção distribuição e promoção da música no Reino Unido. O Conselho Britânico está desenvolvendo um programa voltado para o intercâmbio, não só de artistas, mas, principalmente, com especial atenção para eventos e produtores que poderiam levar artistas brasileiros para o Reino Unido.

Em sua opinião, qual é a importância destes eventos e programas de intercâmbio para a música brasileira e para o público britânico?

Eu acho que a principal vantagem que nós temos com esses programas é entender que os meios internacionais de promoção de música são agora mais possíveis do que nunca. Fazer música no Brasil hoje requer um esforço maior do que a 10 ou 15 anos atrás. As pessoas querem eventos maiores, mas não pagam para ver artistas novos ou pouco conhecidos. Os grandes grupos tem sido os mesmos de 20, 30 anos. Uma grande quantidade da produção cultural brasileira sobrevive apenas por incentivos promovidos pelo governo. Por outro lado, a música popular nunca ganhou tanto dinheiro e espaço no país como agora, e este é um modo, agora possível, de criar uma promoção maciça internacional.  Se analisarmos esses conceitos, de maior abertura dos caminhos, e as necessidades do mercado internacional, podemos entender claramente que é possível investir em uma promoção internacional, em uma escala maior, com melhor qualidade de resultados e com melhor recepção das plateias internacionais. Eu acredito que o tom exótico da produção brasileira não é mais o ponto principal de atenção. Esta fase de fascínio pelas caipirinhas e havaianas acabou, agora isso é só um drink nos menus e uma campanha global de calçados, como muitas outras. A hora chegou para os artistas brasileiros fazerem o caminho inverso do que estão acostumados. Agora eles podem criar seu trabalho local e depois promover a sua música em escala mundial.