NOTÍCIA


BrMusicExchange entrevista: Anna-Anna

03/08/2012

Manuela Leal é uma artista brasileira que foge do lugar comum. Viveu grande parte de sua vida nos Estados Unidos, onde se formou em artes plásticas. De volta à sua cidade natal, o Rio de Janeiro, começou a compor e a gravar as músicas de seu primeiro EP “Last night I lit the moon”. Sob a alcunha de Anna-Anna, a “banda-de-uma-mulher-só”, como ela se descreve, o projeto de música eletrônica experimental/sci-fi pop tem influências de trilhas sonoras, canções tristes e pop/chanson francesas.

Manuela nos conta que através do Encounters, projeto promovido pela BM&A que serve como uma vitrine de novos artistas brasileiros para o mundo, Anna-Anna ganhou espaço nas principais publicações internacionais, como nos sites do The Guardian, NPR.org e na revista I-D. Através dessa exposição, Anna-Anna se apresentou no The Great Escape e Liverpool Sound City, grandes festivais internacionais de música.

O BRMusicExchange conversou com Manuela Leal sobre sua carreira. Leia abaixo:

Sua formação é de artista plástica, certo? Quando e como começou a trabalhar com música?

Sim, fiz faculdade de artes plásticas e em seguida fiz um mestrado na mesma especialidade. Eu estudei música ainda criança e adolescente aqui no Rio. Muito mais tarde decidi começar a “fazer” música, a escrever músicas.  Tinha morado a minha vida adulta inteira nos Estados Unidos e voltei ao Rio em 2010 para também me concentrar em fazer músicas. E aí comecei do zero mesmo.

O que exatamente é Anna-Anna?

Anna-Anna é o meu “alter ego”.  É uma personagem que tem poderes de viajar através do tempo e do espaço.  É um projeto de música, que abrange também as artes plásticas. Acabo de fazer um vídeo que incorpora as práticas de imagem que eu fazia antes de começar a fazer música.  Consegui fazer um projeto de “arte total”, onde o vídeo, a pintura e a música estão unidos esteticamente. (Veja: http://www.youtube.com/watch?v=mFjzYuRvkwc).

Seu nome foi citado por radialistas e jornalistas estrangeiros como Max Reinhardt e Ruth Barnes. Você acha que tem mais espaço no mercado internacional do que no brasileiro? Suas composições em inglês foram feitas para alcançar o público internacional mesmo?

O que aconteceu foi que eu acabei tendo uma resenha no The Guardian na Inglaterra e isso realmente abriu algumas portas.  Eles têm um sistema bastante aberto de divulgação de artistas novos por lá.  O Max Reihardt tem um programa de rádio de músicas experimentais e world music na BBC3, de repente eu soube que ele tinha tocado umas músicas, muito legal, não sei como ele descobriu.  Para a Ruth eu tinha mandado os links para o blog dela e mantivemos o contato até que eu fui pra Inglaterra agora em maio e nos encontramos no festival The Great Escape. Essa coisa de eu cantar em inglês, bom, a música tinha que refletir a minha experiência pessoal de alguma maneira, eu passei a maior parte da minha vida fora, isso é inevitável. Como estava começando do zero, como disse, era mais fácil escrever letras em inglês, depois de tantos anos tendo essa língua no cotidiano.

Você conheceu o jornalista inglês Joe Muggs no projeto Comprador & Imagem (atual Encounters), que foi realizado no Rio de Janeiro em 2011, certo? Como foi esse encontro? Ele incluiu sua música em um podcast também. Ficou surpresa?

O Joe Muggs é uma pessoa muito legal. Eu já conhecia as coisas que ele escrevia antes de saber que ele viria pra esse projeto, ele têm umas ideias muito interessantes sobre a cultura da música eletrônica.  Não imaginei que fosse uma pessoa tão simpática, não tinha expectativas. Na conversa que tive com ele através do projeto Encounters, aprendi muito, inclusive ele me deu força pra continuar. É algo muito bonito encontrar pessoas que já estão inseridas no contexto da música atual e que te dão apoio.  Quando você está no Brasil, as coisas parecem tão longínquas, mas na verdade está tudo mais próximo do que se parece, a internet aproxima pessoas e de alguma maneira desarma barreiras.  Em relação ao podcast fiquei surpresa porque nunca se espera uma resposta.  Eu mantive contato com ele e mandei as músicas novas pra ele, e ele incluiu uma música nova no podcast.

Como recebeu o convite para participar dos festivais internacionais Liverpool Sound City e The Great Escape?

Depois dos encontros promovidos pelo projeto Encounters vi que tive um pequeno espaço na mídia na Inglaterra e que seria o momento de conectar a internet com a experiência ao vivo. Esses festivais, o The Great Escape e Liverpool Sound City são para bandas bem novas, são festivais tipo “showcase”, onde muitas bandas tocam com sets breves.  Mandei a minha inscrição através do BM&A. Esses festivais fazem as seleções meio na última hora então na verdade fica difícil pra muitas bandas porque o patrocínio do governo exige muita antecedência.  Fiquei sabendo 5 semanas antes do show. Resolvi ir mesmo assim, porque a internet não pode substituir o contato ao vivo.

E como foram as apresentações e como você avalia os resultados destes festivais para sua carreira?

Foi uma experiência muito positiva.  Foi ótimo ter apresentado o meu trabalho ao vivo e a cores.  Aprendi bastante, principalmente porque tive alguns problemas técnicos.  Pude ver o que deve ser mudado daqui pra frente.  Foi muito importante ter começado de verdade, com o público ali, diante de mim. E ter esses festivais no currículo pode abrir portas futuras.

Há mais shows programados para o exterior?

Estou cogitando ir a Nova Iorque ainda esse ano pra fazer alguns shows mas não está nada certo.

Para conhecer melhor o trabalho de Anna-Anna, acesse: http://anna-anna.tv/