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“A Grande Nena”

26 fevereiro, 2013 | Artistas

Dom La Nena é uma das artistas que prometem dar o que falar em 2013 http://goo.gl/JiExV. Isso porque, quando se trata de talento musical, essa gaúcha não tem nada de “pequena”, como seu apelido, em espanhol, indica. Batizada como Dominique Pinto, a cantora, autora e compositora cresceu entre três países: além da pátria verde e amarela, ela desenvolveu seus talentos na Argentina e também na França. A iniciação musical começou com o piano, mas é o violoncelo, que conheceu anos depois, o responsável por fazê-la ascender como estudante e profissional da música.

Apesar de jovem, La Nena tem bastante experiência e carrega consigo a participação em um projeto folk-rock com Rosemary Standley (do grupo de folk-rock Moriarty) e parcerias com Coming Soon, Camille, Sophie Hunger, além de colaborar no espetáculo “O Condenado à Morte”, uma homenagem ao centenário de Jean Genet feita por Etienne Daho e Jeanne Moreau.

Pupila de Christine Walevska, americana conhecida como “a deusa do violoncelo”, Dom aperfeiçoou suas habilidades com o instrumento em Buenos Aires, antes de voltar para Paris (cidade na qual residiu quando criança) aos dezoito anos e se tornar parceira de palco da cantora e atriz Jane Birkin. Após acompanhá-la em uma turnê internacional por dois anos, Dom começou a trabalhar em seu primeiro álbum e conheceu Piers Faccini, que foi o produtor de suas canções.

Ainda pouco conhecida no Brasil, Dom La Nena, como muitos de seus conterrâneos, começou a chamar a atenção na Europa e na América do Norte. Este ano já há shows confirmados na França e na Itália.

“Ela”, seu álbum de estreia, foi lançado em janeiro pelo selo americano Six Degrees.

Descrito como melancólico, poético, autêntico e maduro, apesar dos seus 23 anos, o álbum foi e continua sendo pauta de resenhas em veículos importantes como The New York Times, The Wall Street Journal, Le Journal de Montreal, além de vários portais sobre música e cultura na internet. “Ela” conta com participações especiais de Camille, Thiago Pethit e Kiko Dinucci.

O primeiro videoclipe da artista, “No meu país” pode ser visto na página oficial de Dom La Nena: http://www.domlanena.com

Além disso, Dom nos concedeu uma pequena entrevista, falando sobre seu trabalho e seu novo álbum:

1. Você faz parte desta nova geração de artistas brasileiros que são reconhecidos no exterior e muitas vezes se popularizam por lá e nem tanto aqui. Tendo vivido em 3 países diferentes enquanto crescia, como você enxerga isso?

Para mim o fato de estar tendo reconhecimento no exterior antes de ter no Brasil, é uma questão de circunstâncias e de sorte. Primeiro, porque moro na França há muito tempo, trabalho aqui como violoncelista há alguns anos, então já tenho um caminho percorrido no meio musical daqui. Depois, a gravadora com a qual estou lançando o disco é Americana (Six Degrees Records) e costuma fazer lançamentos internacionais. Por isso o disco foi lançado primeiro nos EUA e no Canadá, onde tem sido surpreendente, para mim, ver a acolhida maravilhosa que ele está recebendo da imprensa e do público. Como moro aqui na Europa, foi o segundo lugar onde o decidimos lançá-lo e também estamos recebendo retornos excelentes. Mas vou chegar ao Brasil ! Só está um pouco mais demorado porque nem eu nem a gravadora estamos ai, e é difícil coordenar tudo à distância.

2. Justamente por ter crescido em países diferentes, imagina-se que você utiliza diversas referências culturais costumes e música na hora de compor. O que mais te influencia musicalmente em cada país em que você viveu ou por qual já passou, incluindo o Brasil?

São várias as influências e é difícil falar sobre elas porque na maioria dos casos elas acontecem para mim de forma inconsciente. Só no Brasil são numerosas, mas talvez a que mais se ouça na minha música seja a simplicidade e o dramatismo que se encontram frequentemente nas letras (de Dorival, de Vinicius, de Jorge Ben, etc.). Aquelas histórias tão doces e tão simples, e aquelas que podem ser de morrer de amor… Na argentina também gosto muito do dramatismo dos tangos, e da simplicidade e da ingenuidade de algumas músicas do folklore como por exemplo de Athaualpa Yupanqui. Também ouvi muito Violeta Parra e Sílvio Rodriguez. Na França o que mais se ouve na minha música como influência da “chanson française” é o que em francês se chama de ‘ritournelle’, quando é um motivo musical repetitivo.

3. As resenhas sobre seu trabalho chamam a atenção para a sonoridade madura e melancólica que este carrega. Se o seu début, “Ela”, pudesse ser descrito em uma palavra, qual você usaria? Você utilizou muitas experiências pessoais para compô-lo?

Acho que o adjetivo que melhor definiria o disco é “sincero”. É um disco que foi feito realmente com muita naturalidade, sem pretensão de ser isso ou aquilo. Quando eu comecei a compor e a escrever as músicas, não foi com a intenção de um dia fazer um disco, era realmente pelo prazer e pela diversão de compor, de experimentar isso. Todo o processo de elaboração dele, o fato de ter sido feito sem ainda ter uma gravadora atrás e sem mesmo ter a certeza de que um dia se tornaria efetivamente um objeto, possibilitou que ele fosse feito com calma e com muita sinceridade. É claro que minhas experiências pessoais, embora de forma inconsciente (como para minhas influências) também se reflete na minha música, como por exemplo, o fato de viver longe do Brasil há tantos anos, de ter crescido em vários países, saído de casa muito cedo, etc.

4. Você pretende fazer uso de alguma estratégia mais agressiva para que seu trabalho atinja mais o público brasileiro ou acha que isso tem de acontecer com naturalidade? Na ocorrência de uma tour, você pretende passar por bastante cidades no Brasil?

Não temos uma estratégia agressiva, por enquanto as coisas estão acontecendo por elas mesmas, com naturalidade… A Six Degrees está vendo a melhor maneira de lançar o disco oficialmente aí. Agora em abril vou passar alguns dias em São Paulo para fazer um pouco de promoção (entre outras coisas, participar da próxima temporada do programa ´´Cantoras do Brasil´´ – do canal Brasil) e justamente, começar a organizar melhor o lançamento no Brasil. Eu sonho em poder fazer uma turnê Brasileira e conhecer melhor cada canto do país! Espero que possamos organizar isto em breve !


(Eng) The upcoming Brazilian beat: Tecnobrega

19 fevereiro, 2013 | Exchange, Inglês


Melhores álbuns de 2012, segundo Sounds & Colours Mag

17 janeiro, 2013 | Artistas

O ano de 2012 foi memorável para a música brasileira. Muitos novos artistas se firmando em território nacional, mas não se esquecendo de ampliar horizontes em terras estrangeiras. Você viu alguns deles aqui.

Os discos de novos artistas e grupos brasileiros também têm feito sucesso no mercado internacional. A revista Sounds & Colours, especialista na cultura e música sul-americanas, divulgou recentemente um ranking com os melhores lançamentos do último ano.

Grande parte dos brasileiros selecionados foram escolhidos por Russ Slater, fundador e editor da Sounds & Colours. Jornalista musical e grande especialista dos sons latinos, Slater contribui também com a Jungle Drums e na Time Out São Paulo, além de já ter passado por veículos como The Wire, PopMatters, Drowned In Sound e Latineos. Você pode ler as matérias e resenhas dele aqui.

Os discos brasileiros que compõem a lista são:

19° lugar – Metá Metá – MetaL MetaL

O trio composto por Kiko Dinucci, Thiago França e Juçara Marçal lançou seu segundo álbum em novembro do ano passado. O disco é uma mistura de música africana, latina, noise, free jazz e rock. “Este é o som de alguns dos melhores músicos de São Paulo direcionando seus talentos criativos em uma ode apaixonada à afro-brasilidade”, escreve Slater.

17° lugar – Cabruera – Nordeste Oculto

Formada em 1998 por estudantes da Universidade Federal da Paraíba, a banda Cabruera lançou Nordeste Oculto, seu 5º álbum, em 2012. O novo projeto reúne, além da música do grupo paraibano, o trabalho fotográfico de Augusto Pessoa e os textos do citarista Alberto Marsicano. Para Slater, o novo disco do Cabruera é uma Nação Zumbi embarcando em uma viagem mística.

15º Psilosamples – Mental Surf

Psilosamples é o projeto musical do mineiro Zé Rolê, que mescla sonoridades brasileiras com a batida da música eletrônica. Lançado no Brasil e no Japão, MentalSurf, seu 3º álbum, já percorre as principais pistas de dança de festas e festivais alternativos.

12º Lucas Santtana – O Deus Que Devasta Mas Também Cura

O 5º álbum do cantor, compositor e produtor Lucas Santtana é mais um presente musical de 2012. Aclamado pela crítica, o disco é o único brasileiro a figurar entre os 100 melhores do ano na revista francesa Los Inrockuptibles.

11º Maga Bo – Quilombo Do Futuro

Lançando Quilombo do Futuro, Maga Bo explora profundamente os ritmos afro-brasileiros com pegadas contemporâneas. Estão presentes coco, maculelê, samba, jongo, ragga, dub, hip hop, dubstep entre outros. Uma miscelânea sonora que deu certo. Para Robin Perkins, “Quilombo do Futuro investiga a rica herança musical afro-brasileira e a transporta para o século 21”.

BNegão & Seletores de Frequência – Sintoniza Lá

Após nove anos sem lançar um disco, BNegão & Seletores de Frequência chegam com Sintoniza lá fazendo barulho na música nacional. Com sonoridades diversas, como reggae, rock e funk, o disco de 11 faixas foi premiado pelo VMB 2012, da MTV, como o melhor de 2012.

5º Tulipa Ruiz – Tudo Tanto

Após o elogiadíssimo Efêmera, Tulipa Ruiz deixa 2012 com Tudo Tanto, 2º álbum da cantora, que assina, solo ou em parcerias, as 11 faixas do disco. Ocupando a 5ª posição da lista, Tulipa é elogiada por Charlie Higgins. “Ouvir o segundo álbum de Tulipa Ruiz, Tudo Tanto, é como ser uma criança em uma loja de doces. Constituído com base em seu aclamado disco de estreia, Efêmera, a compositora paulista faz cócegas em cada volta dos ouvidos com sua mistura orgânica de indie pop brasileiro”.

Para ver a lista completa, clique aqui.


Entrevista com Evelyn Sieber – Gerente de Projetos do Reeperbahn Festival Hamburgo / Alemanha

17 dezembro, 2012 | Exchange, português

Evelyn Sieber recebeu seu diploma em Negócios Internacionais, com especialização em finanças e gestão de eventos antes de iniciar a carreira em um mundo diferente – trabalhando em hotéis 5 estrelas na Alemanha e na Flórida, EUA. Em 2003, ela decidiu tirar a roupa de empresária e se juntar ao circo da indústria da música. Ela começou na Womex – World Music Expo, onde, em 6 anos, se tornou chefe de produção.

Em 2010, ela encontrou sua nova casa em Hamburgo, juntando-se à equipe de Reeperbahn Festival, onde ela é responsável pelas cooperações internacionais e showcases.

Contato: sieber@infernoevents.com.

1. Por que o Festival Reeperbahn é interessante para o cenário musical e para a música brasileira?

O primeiro de uma longa lista de argumentos seria:

“É a porta para o mercado de música alemão e europeu”

Sendo a Alemanha um dos principais mercados europeus para a música brasileira e o Reeperbahn Festival a maior plataforma de encontro nacional e internacional na Alemanha … faça o cálculo.

2. Qual é a marca do evento e como ele se diferencia da longa lista de eventos semelhantes?

O Festival de Reeperbahn é um festival comercial normal (sim, não fique chocado, nós pagamos aos artistas), com a reputação de ser um festival que traz novidades para os amantes de música – especialmente com bandas que ninguém, fora os geeks, conhece.

Isto, obviamente, chama a atenção da indústria da música, e é por isso que iniciamos o Reeperbahn Festival Campus como uma plataforma para fazer contatos há alguns anos.

Adicionando todos os benefícios profissionais para fazer da visita dos participantes a melhor experiência possível: conferências, sessões de networking com associações alemãs e internacionais, showcases, matchmakings etc.

Além da extensa programação artística, distribuído em 60 locais – todos próximos – na maior área de entretenimento da Alemanha, torna o evento tão divertido quanto produtivo.

3. Como os profissionais da música têm que se preparar para o Reeperbahn Festival? Quais são as suas principais regras pessoais?

Saiba o que você quer alcançar e com quem quer falar. Procura por um selo na Alemanha / Europa? Então aproveite o tempo para fazer uma busca detalhada, no lugar de mandar e-mails em massa.

Reserve cerca de 20% do seu tempo durante o dia para observar – os negócios acontecem no bar, tanto quanto nas reuniões. E no Reeperbahn Festival existem muitos bares. ;-)

4. Como é feita a seleção das apresentações e showcases e quais estilos musicais vocês preferem?

Gêneros: Rock, Pop, Indie, Cantor-compositor, Folk e Música Eletrônica.

Há duas abordagens diferentes:

Comercial:

Começando por volta de abril, através do Sonicbids ou pela escolha da nossa equipe de seleção e ainda por recomendação de nossos contatos. Acredito que todos que estão lendo este texto sabem como é feita a seleção de um festival comercial.

Showcase:

Descubra se existe um artista brasileiro a quem você pode se unir, ou se já tem outro parceiro interessado em participar ou apenas entre em contato comigo.

Nossos showcases constumam contar com 3 bandas ou mais, mas isso não está escrito em pedra. Estamos abertos para novos desenvolvimentos.

As diferenças entre uma showcase e um show comercial são: o showcase envolve um custo, é especialmente promovido para os visitantes B2B – nossos delegados do Reeperbahn Festival – e são indicados como showcases na divulgação.

Eles acontecem no período da tarde e tarde / noite – em alguns locais onde também acontecem os shows comerciais, de acordo com o desejo do parceiro do showcase e da disponibilidade do local. Um ponto é muito importante: nós realmente verificamos e frequentemente rejeitamos apresentações para showcase, mesmo que haja um parceiro disposto a pagar por ele. Como os showcases são parte da nossa programação oficial, é extremamente importante para nós que o estilo e a qualidade da apresentação sejam adequados ao Reeperbahn Festival.

5. Seu evento não conta com stands ou área de exposição. Qual é a estrutura do Reeperbahn Festival?

Temos um lounge para delegados, com muitas atividades acontecendo a fim de ajudá-los a encontrar as pessoas certas.

Por exemplo, conferências, sessões selecionadas de matchmakings e networking com associações nacionais e internacionais (como IMMF ou Yourope, o German promoter’s (BDV), indie label (VUT), associações de editoras (DMV).

E, claro, os delegados são bem-vindos nas apresentações / showcases / festas organizadas por parceiros como Music Service Asia, Warner, CIMA, Believe Digital, departamento de exportação e muitos outros.

6. Pode dar uma breve história do Festival de Reeperbahn?

Algo para os interessados em dados:

2006 – 1 º Festival de Reeperbahn com 10.000 visitantes, 200 apresentações, 25 locais

2007 – 12.500 visitantes, 125 apresentações, 15 locais

2008 – 15.000 visitantes, 140 apresentações, 17 locais

2009 – 1 º Festival Reeperbahn Campus com plataforma B2B com 1.200 delegados, 17.000 visitantes, 160 apresentações, 21 locais

2010 – 1.500 delegados de 24 países, 17.000 visitantes, 180 apresentações, 27 locais

2011 – 2.000 delegados de 30 países, 20.000 visitantes, 200 apresentações, 50 locais

2.012 – 2.500 delegados de 34 países, 25.000 visitantes, 290 apresentações, 60 locais

2013 – espero que pelo menos mais um delegado: você.


O ano do Brasil em Portugal começa agora

28 setembro, 2012 | Exchange

Os europeus têm um ano para entrar em contato com a cultura brasileira a partir do final de setembro. Para ser mais exato, o governo de Portugal lançou oficialmente o “Ano do Brasil em Portugal”, que é direcionado a todos que queiram aprofundar o olhar em nossa cultura. O projeto reúne shows, dança, literatura, teatro, design e muito mais, em um cronograma de eventos que percorrerá o ano de 2013.

“Haverá uma atualização compreensiva dos trabalhos musicais brasileiros em vez de dar espaço somente a artistas de renome – este o conceito e ponto inicial para a elaboração da programação”, enfatizam os organizadores do site oficial do evento. Artistas famosos no Brasil, mas desconhecidos em Portugal, novos talentos, e tributos a ritmos, regiões e festas populares acontecerão em Lisboa, em um palco montado especialmente para o evento.
Durante os três primeiros meses, o cronograma de atrações homenageará artistas que não estão mais conosco, como Luiz Gonzaga, Wilson Simonal, Tim Maia e Tom Jobim. No segundo palco do evento, novos artistas de todos os gêneros serão selecionados, através de um edital, a se apresentarem dentro da programação. Encerrando o projeto, os últimos quatro meses do Ano do Brasil em Portugal serão dedicados aos grandes nomes vivos da música brasileira. Gênios como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, entre outros, serão representados de forma criativa no palco.

Para mais informações e para ver a programação completa: http://www.anobrasilportugal.com.br


Juan Corral fala sobre Turnês Internacionais

26 julho, 2012 | Exchange, português

O empresário Juan Corral começou a trabalhar cedo com o mercado musical. Aos 17 anos viu um anúncio no jornal que chamou sua atenção. Uma vaga de emprego na Hellion Records cujo requisito principal era gostar de música. Não teve dúvidas, enviou seu currículo e conquistou a vaga. Depois disso passou pela Century Media Records, multinacional na qual atuou com vendas internacionais, e montou sua própria produtora, a Dusk Till Dawn Agency – que licenciou álbuns para o Japão, Rússia e México, e atuou como management de bandas como Aquaria, Tribuzy e a lendária paulista Korzus. Foi convidado para fazer parte da equipe da Base 2 Produções, onde foi agente de vendas e produtor de estrada de bandas como Sepultura, Forgotten Boys, Massacration e Ratos de Porão.

No Tom Brasil, Corral coordenou diversos eventos corporativos e shows de grandes artistas, como Chico Buarque, Roberto Carlos, Marisa Monte, Deep Purple, Daft Punk, Yeah Yeah Yeahs e Ana Carolina. Com essa experiência, Corral passou a conhecer não só o mercado internacional com o qual estava acostumado, como também o nacional, o que o levou, em 2008, a ser convidado para ser o responsável pela produção geral e pelo desenvolvimento do festival Maquinaria Rock Fest – que acabou se transformando no SWU.

Agora, contribuindo com a Agência Produtora, atua no agenciamento, gerenciamento e A&R de artistas e bandas, como Funk Como Le Gusta, João Donato, Chico Teixeira e Tiê. Com esta última, aliás, fez uma turnê pelos Estados Unidos e América do Sul, como nos conta na entrevista abaixo. Corral fala ainda sobre como planejar, qual a hora certa para cair na estrada, como fazer a divulgação de uma turnê no exterior e muito mais.

Leia:

Por quais países a Tiê passou nessa última turnê?

EUA, sendo um show no Texas pelo festival SXSW (South by Southwest), um em Nova York no clube Nublu – que tem um perfil muito legal e um histórico forte com artistas brasileiros, onde, toda quarta, se apresenta o forró in the dark, que é composta por brasileiros radicados em Nova York – e logo depois, na América do Sul, fizemos Chile, Argentina e Uruguai.

Todo artista deve fazer uma turnê fora do país?

Sem dúvidas. Além dessa experiência valorizar o artista dentro do próprio país – afinal, o brasileiro é um povo que olha muito mais pra fora do que pra dentro – o próprio artista vê outras realidades, outros mercados e começa a olhar o próprio trabalho de forma diferente. Há também o fator da troca cultural com os artistas locais, o que gera uma “amizade musical”, por assim se dizer, no qual o público é o principal beneficiado.

E qual é o momento certo para o artista brasileiro fazer uma turnê internacional?

Não tem uma definição exata do momento certo, mas eu diria que o ideal é quando o artista tem uma gravadora ou selo lançando seu material. A apresentação serviria para ajudar na divulgação e vendas nos shows, aproveitando para fazer toda a promoção nas mídias com o artista pessoalmente.

Em sua opinião, como deve ser o planejamento de uma turnê? Há perspectivas sobre quanto tempo de antecedência se deve planejar, qual é o orçamento básico e como calcular isso?

No mínimo seis meses antes das datas é o ideal, mas também às vezes tudo acaba acontecendo por oportunidades de shows de última hora. São nestes momentos que as contas aumentam vertiginosamente. O orçamento depende muito de que tipo de show ou proposta ou orçamento o artista tem para se apresentar. Normalmente temos garantidos os custos e necessidades básicas para realizar as apresentações, mas em casos de festivais, como o SXSW, em que o artista tem que se bancar 100%, o básico começaria logicamente com passaportes – como verificar se todos os integrantes possuem passaporte válido e dentro das normas necessárias. Na sequência, os vistos, o que é essencial que seja feito com muito tempo de antecedência para o caso de eventuais contratempos. Depois passagens aéreas, hospedagem, backline local, alimentação e traslados.

Com a internet, as opções de financiamento de uma turnê se tornou mais real do que a alguns anos. Um exemplo disso é o crowdfunding. O que você acha dessas opções?

Acredito que os editais sejam os melhores para este tipo de trabalho com artistas nacionais, pois pelo que tenho acompanhado, os modelos de crowdfunding estão muito mais ligados a artistas internacionais. Até o momento não consegui visualizar algum que seja 100% para artistas nacionais e tenha funcionado devidamente.

Como, normalmente, o artista não é tão conhecido lá fora como é aqui, o investimento em divulgação tem que ser muito maior? Que tipo de coisa é preciso fazer (que não se faz aqui)?

É importante, principalmente, a divulgação nas mídias sociais, como facebook, twitter entre outros, pois pensar em investir dinheiro em divulgação nestes lugares é difícil – até porque o retorno é mais de vendas de merchandising do que outra coisa, dependendo da proposta. O ideal é investir no intercâmbio cultural entre artistas destes lugares antes de viajar. Sendo assim, o artista nacional acaba sendo indicado por outro artista internacional que já tem um público formatado, o que acaba gerando uma repercussão dentro do meio.

Em que mercados há mais espaço para os artistas brasileiros hoje em dia? Há lugares onde a música nacional penetra mais facilmente?

Os mercados europeu, americano e asiático estão em recessão. Qualquer tipo de ação para estes lugares acabam não tendo o mesmo resultado que havia antes da crise. Um dado relevante é que o momento agora é da América do Sul, sendo os maiores mercados do momento Brasil, Chile, Argentina e Colômbia, nesta ordem. O mercado esta voltando a atenção completamente para o Brasil, e isso vai ficar cada vez mais acentuado com a chegada das Olimpíadas e Copa do Mundo.

Para o artista independente, fazer uma turnê internacional é um passo muito arriscado?

É um investimento futuro. Não é possível lucrar nas primeiras empreitadas pra fora se não for o merchandising, se der empate já é algo muito bom. E isto acontece também com os artistas internacionais novos, então nunca consegui ver isto como um investimento negativo, a experiência sempre vale o risco.

E sobre a Tiê, já estão colhendo resultados da última turnê? Qual foi o balanço geral?

SXSW foi, mais do que outra coisa, uma vitrine. No entanto, na América do Sul,  tivemos ótima resposta de público no Chile e na Argentina. Já no Uruguai a Tiê tem um nome forte por ter feito 4 shows por lá e cada vez melhor, fizemos 2 shows sold out nesta última tour.