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Conexão Espírito Santo – Europa

15 agosto, 2011 | Mercado da Música

O capixaba Eduardo Louzada é figura-chave no cenário musical do Espírito Santo. Sem falsa modéstia, ele sabe que foi um dos grandes responsáveis pelo surgimento e encorajamento de muitas bandas independentes e ainda pelo resgate do folclore local, que segundo ele, “antes era coisa de pobre e bêbado, e hoje, o Congo, é o símbolo maior do Estado”. Este agitador cultural trabalha com música há mais de 20 anos, já foi empresário de alguns artistas, dono de produtora e hoje é um criador de oportunidades para novos artistas. Edu Louzada é diretor do programa Espírito Mundo, um intercâmbio cultural entre Brasil e o mundo, organizado pelo Instituto Quorum e que contempla feiras de música, workshops, rodadas de negócios e os Festivais Espírito Poitou (FR)Espírito Provence, (FR) Espírito Brum (UK), Hay Espiritú Madrid (ES) e Espírito Mundo Brasil. “É isto o que me move, mas não é isto que me sustenta (infelizmente)”, afirma.

A partir da próxima quarta-feira, 17, inicia a série de festivais: ESPÍRITO POITOU – Celles Sur Belle, FR (17 a 20 de agosto), ESPÍRITO PROVENCE – Aix-en-Provence, FR (30 de agosto a 05 de setembro), HAY ESPÍRITU MADRID – Madrid, ES (06 de setembro), ESPÍRITO BRUM – Birmingham, UK (14 a 18 de setembro). Dentre os artistas brasileiros estão: Alexandre Lima & Radio Experienza (ES), Babilak Bah (MG/PB), Flavia Bittencourt (MA), Forró Bem TiVi (ES), entre outros. Durante uma conversa com o BRMusic Exchange, Edu explica como conseguiu viabilizar tantos festivais na Europa.

Como começou o Programa Espírito Mundo e  qual é a sua parcela da participação no evento?

O projeto começou de uma forma bem despretensiosa. No verão de 2005, o cineasta francês Antoine Viollete veio à Vargem Alta, uma cidade nas montanhas no interior do Espírito Santo e estávamos lá com a banda Mahnimal fazendo o show do Carnaval. O francês se empolgou com o que viu, fez um documentário com a banda, que mistura músicas do mundo com a cultura popular do ES. Logo no outro ano, estávamos em turnê pela Europa, quando de repente estávamos sem dinheiro e sem lugar para dormir, resolvemos fazer uma “visita” a nosso amigo Francês… risos. Com esta simples visita, a casa do Antoine na pequena cidade de Celles sur Belle, veio a se tornar a base da banda em suas turnês no verão europeu. Nos primeiros anos era simplesmente uma “pousada” para o grupo, e após um “showzinho” no quintal da casa, outro na praça central, um maior na Abadia Real, recebemos um convite da Associação La Ronde des Jurons para participarmos de eventos governamentais. Em 2005 foi fundada a Associação PATAKAPARA!, que tinha como objetivo o intercâmbio entre a região de Poitou Charentes e o Espirito Santo. Depois de alguns anos a banda já era considerada “da casa” e um certo dia, em um dos shows de despedida na Abadia Real, o prefeito de Celles sur Belle e o Abade se empolgaram, e nos ofereceram a “chave da cidade”. Não demorou para conseguirmos um Festival na cidade.

De volta ao Brasil em 2008, na época ainda empresário da banda Mahnimal, me juntei a Aline Yasmin e fundamos o Instituto Quorum, que hoje é responsável pelo projeto que se chamava “Espírito Poitou”. Em 2010 criamos o projeto “Espírito Mundo”, com o mesmo conceito do Poitou. Nestes quatro anos de vida, já levamos mais de 100 artistas capixabas para a França e em 2011 o projeto cresceu em participação e abrangência. Em 2010 a cidade de Aix-en-Provence abrigou a primeira extensão do festival, em 2011 serão realizados (em agosto e setembro) a quarta edição do  Espírito Poitou, em Celles sur Belle e a segunda edição do Espírito Provence, em Aix-en-Provence, na França, e ainda as primeiras edições do Hay Espíritu Festival, em Madrid, Espanha e Espírito Brum, em Birmingham, Inglaterra.

Ou seja, trata-se do resultado de um trabalho que vem crescendo a partir de uma ação específica com uma banda e que hoje tem se destacado no cenário nacional, como um modelo de exportação da cultura brasileira até então inédito de parceria (sempre uma co-realização) da sociedade civil organizada e de interesses governamentais.

Qual é a importância da BM&A nesta empreitada?

A BM&A foi um dos primeiros parceiros a acreditar no projeto e foi também a responsável por nos apresentar um grande mercado no mundo para a música brasileira. Antes de conhecermos a BM&A, fazíamos tudo na base do “facão”, sem o conhecimento dos mecanismos disponíveis no mercado. Foi através da parceria com a BM&A que resolvemos transformar um simples festival de Música Capixaba numa cidade no interior da França no Programa Espírito Mundo, envolvendo artistas de todo o Brasil e conquistando novos países.

Como é feita a seleção de artistas para se apresentarem em cada um dos festivais?

Serão em torno de 30 artistas brasileiros por festival das áreas de música (Clássica, Choro, Pop/World, MPB, Forro, Eletrônica), poesia, artes plásticas, vídeo e dança.

Buscamos os artistas através de uma pesquisa junto às cooperativas de música dos estados, em feiras nacionais e internacionais, além de recebermos material de artistas interessados pelo site do Quorum. Assim que termina um festival, começamos uma pré-curadoria, onde selecionamos uma media de 100 bandas e enviamos para os parceiros internacionais. A partir daí começamos a adequar de acordo com o interesse/perfil do público local.

Os critérios da curadoria são:

Apelo artístico, perfil do festival e capacidade técnica e criativa para representar o Brasil na Europa;

Afinidade com os interesses dos demais parceiros que também participam da definição;

Potencialidades de intercâmbio – além da música, como forma de fomento e inserção de outras atividades artísticas;

Possibilidade de articulação e afinidade entre os artistas como forma de maximizar a participação de todos (que tocam juntos e se apóiam na produção).

E você ainda participa de um quinto festival na Espanha, certo?

Sou produtor e diretor do Cantos Na Maré -  Brasil, Festival Internacional da musica Lusófona que acontece há oito anos na Galícia, Espanha. A intenção é formar uma rede de agentes levando o festival a todos os países da Língua Portuguesa. Aconteceu em FORTALEZA no período de 20 a 29 de Setembro de 2009, dentro do V Encontro Internacional de Negócios da Língua Portuguesa, organizado pela CPLP. Em 2011 aconteceria entre 08 e 12 de Agosto, porém com a atual crise na Espanha, nosso parceiros preferiram adiar o evento. Vamos torcer para voltarmos a Galicia em 2012.

Haverá algum no Brasil?

Temos o projeto aprovado pela Lei Rouanet para realizarmos seis edições do projeto em 2011 e 2012, porém ainda não conseguimos a captação dos recursos necessários. Estamos trabalhando muito em cima disto. Alguem disponível para trocar os bônus? Mas indepedente disto, estamos realizado projetos paralelos com artistas internacionais que participaram das edições anteriores, como por exemplo, no início deste mês realizamos uma ação em Vila Velha, ES, onde recebemos artistas do Grafite de Birmingham, onde é realizado o ESPIRITO BRUM.

As cidades que recebem o evento estão 100% preparadas para receberem a nossa musicalidade?

O mundo está.


A repercussão da música brasileira na Imprensa internacional

31 maio, 2011 | Coluna da Jody Gillett

Jody Gillet, a representante da BM&A no Reino Unido, vive em Londres e trabalha há mais de 15 anos com o cenário local de música independente. Já trabalhou com marketing e gereciamento de diversas gravadoras e selos como Hannibal Records, Ryko disc, Luaka Bop, Trama, etc. Jody ainda edita tudo que se refere a world music no site e revista MONDOMIX (França) e enquanto realizava algumas pesquisas musicais, ela nos enviou as seguintes notícias:

O sucesso repentino da Banda Mais Bonita da Cidade já extrapolou as fronteiras do Brasil e foi parar na Jungle Drums, um site/revista de Londres que fala sobre a cultura brasileira. Clique aqui para ler a matéria sobre a banda de Curitiba.

Você conhece a Bottletop Band? É o braço musical de uma instituição beneficente inglesa chamada Bottletop que  suporta projetos de educação e capacitação de jovens no Brasil, Malawi, Rwanda, Moçambique e Reino Unido. O projeto visa unir músicos britânicos, americanos e brasileiros  em discos cujas vendas são revertidas para a caridade.

O próximo disco contará com as colaborações dos brasileiros Kassin, Domênico, Nina Becker e Rodrigo Amarante. Para ajudar o projeto, e saber mais sobre o disco, assista ao vídeo  aqui.

Vale a informação de que a ONG Bottletop possui uma pequena fábrica de acessórios em Salvador, Bahia, de onde saem produtos que estão à venda no Reino Unido. Kate Moss, Paris Hilton e Rachel Weiz estão entre as cliente da marca.

Eis alguns artigos recentes do portal Mondomix (uma revista eletrônica multimídia, que traz novidades da música, cinema, literatura e artes de todo o mundo. A versão impressa da MondoMix é distribuída de forma gratuita em 740 pontos da França) sobre a música brasileira:

- A nova música brasileira em destaque num playlist de 10 vídeos. Entre eles estão a parceria inédita da paraense Gaby Amarantos com a pernambucana Catarina Dee Jah, a banda cearense Cidadão Instigado e os baianos do Baiana System.

- Publicação de um vídeo de Seu Jorge e Almaz, – projeto do cantor que conta com integrantes da Nação Zumbi – interpretando “Everybody Loves The Sunshine”, de Roy Ayers. Este show aconteceu em março, em São Paulo, depois que os Almaz retornaram de uma tour pelos EUA e Europa.

- Red Hot + Rio 2, é o nome da nova coletânea novaiorquina Red Hot, que visa angaria fundos para ajudar pessoas HIV positivo. Sob o lema “lutando contra a AIDS através da cultura popular, por mais de 20 anos”, a ONG Red Hot se inspirou – pela segunda vez – no Brasil para o seu próximo lançamento, que sai em 28 de junho. Na primeira coletânea, de 1996, figuraram Sting, Caetano Veloso, Gilberto Gil, George Michael, Tom Jobim, Milton Nascimento, David Byrne e outros. A edição de 2011 será supla e contará com Devendra Banhart, Seu Jorge, Beck, Of Montreal, Mayra Andrade, Bebel Gilberto, Prefuse 73, Vanessa Da Mata, Madlib, Joyce, Os Mutantes, Aloe Blacc, Céu, Mia Doi Todd, Carlinhos Brown e muito mais.