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Dirk Schade entrevista Markus Schneider

07 dezembro, 2012 | Exchange

Markus Schneider é considerado hoje um dos mais importantes e respeitados jornalistas de música da Europa. Passou por grandes emissoras de TV na década de 90, onde atuou como repórter.

Escreve sobre música e cultura pop desde os anos oitenta, atuando ativamente em revistas e jornais diários na Alemanha e na Suíça, predominantemente no Berliner Zeitung e Frankfurter Rundschau, Tages-Anzeiger de Zurique e Rolling Stone.

Nesta entrevista feita por Dirk Schade, relações públicas do BRMusicExchange na Europa, Schneider fala sobre música brasileira e sua projeção em toda a Europa.

Quão interessante é a música brasileira para jornalistas e rádios alemãs?

De um modo geral, com a evolução digital em pleno vigor, eu realmente não penso muito mais em questões de geografia.

Mesmo assim ainda é difícil encontrar uma maneira de driblar o domínio tradicional da musica anglo-americana e do pop nativo na Alemanha.

De um ponto de vista profissional, tem que haver um “que” de especial (além da música) para capturar o interesse dos meios de comunicação – como aconteceu por exemplo com Arto Lindsay ou o ”baile-mania” que dominou os clubes europeus alguns anos atrás, quando DJs/produtores como Diplo ou Will.I.Am inseriram sons brasileiros no mapa do mainstream.

O que músicos do Brasil podem fazer para atrair o interesse da mídia alemã?

Eu acho que uma coisa que ajuda drasticamente é ter um distribuidor local, capaz de estimular o interesse na região.

Jornalistas são inundados com novas músicas diariamente, então por isso eles tendem a arquivar e filtrar esse material.

É bem mais provável que um material com rotulo genérico como “Pop Brasileiro” seja arquivado em uma pasta cheia de “Vamos ver se tenho tempo para isso mais tarde” do que na pasta junto com outras “super bandas brasileiras de um selo internacional de qualidade”. Boca-a-boca também é válido.

Existem também festivais como os de HKW de Berlim, que apresentam pop mundial feito fora das rotas dominantes para umpúblico mais amplo.

Qual a importância dos meios digitais para promover artistas na Alemanha / Europa? As pessoas devem continuar usando elementos tradicionais, como CD ou publicidade impressa?

Profissionalmente, eu ainda confio nos canais tradicionais. Mas é claro que o buzz gerado funciona para chamar a atenção.

Em relação aos CDs – eu acho que depende. As redações são bombardeados com CDs e papel. Então, novamente, é importante chamar a atenção de alguma forma, seja através de um selo de confiança, um promotor respeitado…

O que você diria para músicos brasileiros que pretendem ingressar no mercado alemão?

Encontrar alguém que sabe sobre o negócio pop alemão e é ligada as distribuidoras,bookers, etc. Pessoas especializadas, promotores, bookers, jornalistas e distribuidores conhecerão os locais certos,rádio ou estações de TV, conselhos editoriais de jornais e revistas. (Suborne-os, convide-os a vir ao Brasil. Falando sério, é bem assim que os grandes trabalham. Convide um grupo de pessoas relevantes para conhecer a cena local, assim eles estarão mais dispostos a ouvir determinado tipo de musica). Conheça o seu gênero (e as competências de seu contato local), uma banda Samba precisa – desnecessário dizer – de diferente manuseio, localização, programas do que, por exemplo, um baile funk experimental ou doom metal.

Quando você pensa em música brasileira, quais artistas lhe vêm à mente?

Um monte de gente da Bossa-Nova, dos anos 60, é claro, de Tom Jobim, Gil, Veloso. Eu me interessei um pouco sobre o genero depois de ouvir coisas como Getz / Gilberto, Charlie Byrd… Soul Jazz Compilações de Tropicália e pós-Tropicália; compilações de Baile Funk de Daniel Haaksman. Diplo; N-1; Babe, Terror (vi em um Festival HKW); as produções de Arto Lindsays.


Criolo encerra o ano com turnê europeia

14 novembro, 2012 | Artistas

O rapper paulistano Criolo se prepara para sua segunda turnê internacional. Fechando 2012, o cantor embarca para a Europa com 11 datas na agenda.

A turnê começa em Berlim, no dia 17 de novembro, e termina em Porto, no dia 8 de dezembro. Criolo e sua banda passarão ainda por Londres (ING), Dijon, Nice, Montbeliard e Paris (FRA), Zurique (SUI), Leuven (BEL), Amsterdã e Utrecht (HOL).

A revista Sounds and Colours acaba de publicar uma entrevista com o cantor, denominando-o como um dos músicos brasileiros mais importantes na atualidade.

Criolo foi destaque também no site da BBC, apresentando sua música “Bogotá”, uma homenagem aos lugares estigmatizados.

Primeira turnê internacional

Entre junho e julho deste ano o cantor fez sua primeira turnê internacional com o disco “Nó na Orelha” e visitou outros países da Europa, além dos Estados Unidos. Na ocasião, o videorrepórter Rodney Suguita, o Maníaco da Câmera, excursionou com Criolo filmando sua passagem pelas cidades e os shows que realizou. O material está disponível no youtube do cantor.

Confira o primeiro vídeo da série:


Turnês Internacionais: Marcos Borghetti reporta suas experiências

06 outubro, 2011 | Mercado da Música, português

Poucos sabem que o gaiteiro gaúcho Renato Borghetti é um dos artistas brasileiros de mais sólida carreira internacional. Já realizou inúmeras turnês pela Europa, passando por países como Itália, Croácia, República Tcheca e Alemanha. Na Áustria, onde se apresenta regularmente desde 2000, Renato se sente em casa, pois não há cidade em que não tenha tocado. O gaiteiro possui até fã clube em Viena, onde faz parte do casting de uma produtora local. No Brasil, quem cuida de sua carreira é o irmão e empresário Marcos Borghetti que falou com o blog, nesta seção sobre turnês internacionais:

Qual é o momento certo para um artista brasileiro tentar uma turnê internacional?

Não existe um momento certo e definido. Isso vai da percepção da própria banda, líderes e produção. O trabalho deve estar maduro e com uma “cara”, o que facilita na hora de definir o local, evento ou projeto. Um bom material de divulgação já traduzido é condicional.

Quanto tempo antes é preciso começar a planejar? Quais são as etapas deste planejamento?

As etapas não alteram muito, são as mesmas da organização de uma tour nacional, salvo que europeus, americanos e canadenses costumam fechar as datas com 8 a 12 meses de antecedência. Primeiros contatos, link com produtores locais, espaços sintonizados com o trabalho desenvolvido, envio de material, definição de condições, muito diálogo.

Existe algum tipo específico de opção de financiamento para bancar uma turnê no exterior?

Até pouco tempo atrás, o MINC auxiliava na compra das aéreas para turnês de grupos nacionais. Para tanto, enviava-se o projeto ao Ministério com roteiro, material da banda e justificativas. Mas nem sempre as respostas vinham no tempo certo e as tratativas de organização da tour não podem se dar ao luxo de esperar pela resposta. De qualquer maneira, é um instrumento válido. Outra opção são as Embaixadas Brasileiras no exterior, que eventualmente podem oferecer algum suporte.

Qual é a maior dificuldade em termos de produção? Há diferenças gritantes em relação ao mercado brasileiro?

A maior dificuldade para a saída de grupos do Brasil são as aéreas. Salvo solistas que normalmente viajam sozinhos ou no máximo com mais um acompanhante, o tamanho dos grupos sempre foi uma dificuldade para a produção. E este cálculo se estende para as demais despesas, hospedagem e alimentação. Já foi pior, mas dólar e euro ainda estão caros.

De modo geral, qual é a maior dificuldade para se organizar uma turnê internacional?

É o link confiável com o local onde se pretende mostrar o trabalho. A partir do momento em que a produção do grupo tem segurança com o outro lado tudo fica mais fácil. Esta conexão pode ocorrer de diversas formas. Uma produção local séria, teatros ou casas tradicionais no acolhimento e contratação de músicos estrangeiros, etc. Quem está no outro país auxiliando ou produzindo tem de entender que a banda não está indo passear, e que qualquer day off custa muito caro, que os shows tem de ser preferencialmente, um atrás do outro, divulgar, tocar, jantar, dormir e estrada (van, trem ou vôos low-cost) e tudo de novo no dia seguinte.

Como, normalmente, o artista não é tão conhecido lá fora como é aqui, o investimento em divulgação tem que ser muito maior? Que tipo de coisa é preciso fazer (que não se faz aqui)?

A divulgação tem de ser a maior possível e também a melhor. Isto não difere daqui. Um bom site atualizado (bi ou trilíngue) e disponibilização de material para download. Redes sociais auxiliam bastante. Descobrir no local em que se pretende tocar, quais os veículos específicos de divulgação, uma banda de música étnica ou world music não vai divulgar nos mesmos locais de samba ou MPB.

A internet é uma aliada nesses casos? Fica mais fácil o planejamento e a divulgação por conta da rede?

Sem dúvida, hoje tu elabora toda a tour desde os primeiros contatos, envio de dados, fotos, vídeos, tudo pela web, a custo zero.

Que tipo de precauções é preciso tomar para não jogar dinheiro fora? Há que se ter mais cuidado com alguns aspectos que aqui, talvez, nem seriam levados em conta?

Uma tour internacional é sempre um desafio e acho que aí é que reside o encanto de sair e vencer fora. Tenho comigo um conselho do mestre Hermeto Pascoal, que me disse um dia para trabalhar sempre com produtores locais. Tenho excelentes parceiros brasileiros, mas se vou aos EUA, procuro por um americano, na Europa um europeu e assim por diante. Normalmente as primeiras tours envolvem riscos maiores, tudo é novidade. Atuo na área instrumental, e posso afirmar que se tu vais a um local, apresenta o trabalho do teu grupo e a acolhida é satisfatória, tu volta. Os organizadores vão te cobrar novos trabalhos e te avalizar para outros contratantes e assim por diante. Depois que o trem começa a andar e as coisa se sedimentam é extremamente gratificante.

Em quais mercados há mais espaço para os artistas brasileiros hoje em dia?

A música brasileira é mágica em qualquer estilo e percebo que é bem vinda em qualquer lugar. Arrisco a dizer que vai além do trabalho que se pretende mostrar, pois quando se diz que é brasileiro, tu já arranca um pouco na frente dos outros. Somos muito queridos fora, ao contrário de alguns países. Isso ajuda.

A participação de músicos/bandas brasileiros (as) vem crescendo no mercado internacional? É possível contabilizar isso?

Sim, para aqueles com trabalho de qualidade e boa organização o mundo está um pouco menor. Mas também não perdoa amadores.


Artista Destaque #02: DJ Tudo e sua gente de todo lugar

01 setembro, 2011 | Artistas

Alfredo Bello é outro brasileiro com a carreira mais estabelecida no exterior do que em seu país natal. “Em sete dias em Portugal, fiz mais shows do que em dois anos em São Paulo”. Hoje, o DJ e baixista mineiro criado em Brasília, é conhecido como DJ Tudo e sua especialidade é condensar sonoridades regionais do Brasil e do mundo num repertório pop. “Ele traz para as pistas de dança ritmos incomuns e ancestrais reprocessados eletronicamente”, elogiou o jornalista Lauro Lisboa, do O Estado de S. Paulo.

DJ Tudo é um arqueólogo da música. Através de seu selo Mundo Melhor (cuja página vale uma visita tamanho é o volume de informações), Alfredo mantém o maior acervo de áudio de cultura popular brasileira. A partir das gravações que garimpa durante suas viagens pelo país e pelo mundo, DJ Tudo – munido de samples e beats eletrônicos – transforma os sons regionais em modernas faixas dançantes, e assim cativa as pistas – e as atenções – por onde passa.

Em 2007 lançou seu primeiro disco, Garrafada. Em 2010 veio Nos Quintais do Mundo, que foi indicado ao Prêmio de Música Brasileira 2011 e virou um DVD gravado em julho.

Foi em 1998 que Alfredo Bello debutou no exterior, em Berlim, com sua banda brasiliense Os Cachorros das Cachorras. Em 2000 foi para Portugal e Espanha como baixista do cantor pernambucano Otto. Em 2003 esteve na Inglaterra e Escócia com a Orquestra Scotland Brasil, mas foi em 2008 que o DJ Tudo levou suas produções para a Europa pela primeira vez. Nesta ocasião, foi como DJ. Mas hoje suas aparições são verdadeiros shows. Tanto as gigs que realizou em Portugal este ano quanto as que ainda virão, na Bélgica e Inglaterra, (veja a agenda aqui) contam com uma banda de nove pessoas. Considerando que é muito mais viável e barato viajar para o exterior como DJ, Tudo já estabeleceu bons contatos e hoje consegue levar toda a trupe com mais facilidade.

Seu passaporte está carimbado com 11 países da Europa e EUA. Lá fora, DJ Tudo é um artista de World Music e não de música brasileira e afirma: “em todos os locais onde me apresentei existem pessoas interessadas no trabalho”.

O currículo de Alfredo Bello é vasto. Só para listarmos alguns feitos, DJ Tudo ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para fazer uma residência artística em Londres e Glasgow em 2009. Trabalhou com os papas do dub Adrian Sherwood e Mad Professor em “Nos Quintais do Mundo”. Gravou baixo, moog e percussão no último disco de Lee Scratch Perry, Dubsetter, de 2010. Além de assinar a produção musical de discos de artistas nacionais como: Junio Barreto, Cérebro Eletrônico, Porcas Borboletas e Pedra Branca. E ainda de trilhas sonoras para o cinema brasileiro, em filmes como “O Amor Segundo B. Schianberg” e “Eu Receberia As Piores Notícias Dos Seus Lindos Lábios” de Beto Brant.

DJ Tudo ainda marca a estreia do cineasta em DVDs de música. Beto assina o DVD DJ Tudo e sua gente de todo lugar, que registra o show “Nos quintais do Mundo Melhor”, gravado em 29 de julho, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

A carreira de Alfredo Bello só se faz crescer. O DVD será levado para a Europa em outubro para a turnê e lançado no Brasil em novembro. DJ Tudo está feliz e otimista, porém, ainda sente muitas dificuldades em divulgar seu trabalho no Brasil. “Temos uma mentalidade colonial, quem tem dinheiro ou é amigo tem tudo, quem não é do grupo não tem nada”, observa. “O New York Times resenhou muito bem o disco Nos Quintais do Mundo, e aqui, não teve a mesma repercussão”, completa e espera que com o DVD isso possa melhorar.

DJ Tudo e sua gente de todo lugar é:

DJ Tudo – baixo, beats e voz

Gustavo Souza – bateria e sampler
Estevan Sinkovitz – guitarra e voz
Ricardo Prado – acordeom e teclados
Marcelo Monteiro – sax e flauta
Amilcar Rodrigues – trompete e and fliscorne
Mestre Nico – percussão e voz
Graciliano Neto – percussão e voz
Convidada – Fernanda Cabral: voz

Discografia:
2008 – Garrafada, selo Mundo Melhor.
2010 – Nos quintais do Mundo – My community is humanity, selo Mundo Melhor.

Coletâneas
2010 – Elektropik – Latin Contemporary Music, França, selo RKK.
2010 – Oi – A nova música Brasileira, selo Mais um Discos
2010 – The Rough Guide to Brazilian Café, Inglaterra, selo World Music Network
2010 – Remix de Luiza Maita, faixa Lero Lero, para coletânea do selo Cumbancha

Sonoridade: Música brasileira dialogando com o mundo.

Influências: Música brasileira de todos os tempos, eletrônica, jazz, dub e funk.

Novidades:
Em julho foram 6 shows em Portugal .
Em outubro e novembro tem a segunda turnê européia de 2011. Serão 4 shows e duas palestras sobre música e cultura brasileira dentro do Europália – Ano do Brasil na Bélgica e um show em Londres. Agenda aqui) http://bma.org.br/brmusicexchange/agenda/

O DVD, que foi gravado em julho no Auditório Ibirapuera em São Paulo, com direção de Beto Brant, deve sair em novembro e virá acompanhado de um vinil duplo.

Uma prévia do material está no vídeo abaixo, na cançao “Baque Forte”:

Links:

selomundomelhor.org/nosquintaisdomundo

soundcloud/djtudo

onesheet.com/djtudoesuagentedetodolugar


Turnês Internacionais: Luiz Gabriel Lopes reporta suas experiências

24 agosto, 2011 | Mercado da Música

Luiz Gabriel Lopes é um cancionista que vive em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. É vocalista e um dos principais compositores do Graveola e o Lixo Polifônico. O artista tem dois álbuns lançados com o grupo e no ano passado lançou seu primeiro trabalho solo, o disco “Passando Portas”, composto e gravado em Lisboa, Portugal. Luiz Gabriel e sua Graveola acabaram de voltar de uma turnê pela Europa, onde passaram por Portugal, Alemanha, Inglaterra e Holanda.

Qual é o momento certo para um artista brasileiro tentar uma turnê internacional?

Penso que o ideal é ter algum material bem gravado e relativamente conhecido no país de origem, para então ampliar o território de ação com a devida solidez. Não há um momento exatamente certo, há o “feeling” da necessidade e um bocado de trabalho a ser feito nesse sentido.

Quanto tempo antes é preciso começar a planejar? Quais são as etapas deste planejamento?

Tudo depende da natureza dos convites: na Europa, por exemplo, os festivais e espaços mais interessantes fecham agenda com grande antecedência, então muitos contatos são feitos para períodos relativamente distantes. Uma grande questão do planejamento é saber potencializar as relações criadas durante as viagens para ampliar a sustentabilidade da circulação a médio/longo prazo. Nesse sentido, é extremamente importante estar atento no contato com o público,  com a imprensa (tanto a oficial quanto a alternativa), tendo uma postura ativa de divulgação do trabalho em todas as instâncias. Ao estabelecer relações concretas com o circuito, a multiplicação do acesso ao trabalho se torna orgânico.

Existe algum tipo específico de opção de financiamento para bancar uma turnê desse tipo?

Em Minas Gerais temos hoje um mecanismo de governo muitíssimo interessante que são os programas de estímulo à circulação, que cobrem viagens internacionais. Há um edital de passagens que é bastante acessível e financia bilhetes a partir de convites feitos com a devida antecedência. Fora isso, a longo prazo é possível estabelecer convites que custeiem as passagens, mas isso já é uma etapa avançada do processo.

A internet é uma aliada nesses casos? Fica mais fácil o planejamento e a divulgação por conta da rede?

A internet é uma ferramenta fundamental em todos os sentidos, do management logístico das turnês à divulgação e ao contato com o público. Some-se a isso o potencial multiplicador de acesso ao trabalho que é criado através de redes como o facebook e o myspace…

Em que mercados há mais espaço para os artistas brasileiros hoje em dia? Há lugares onde a música nacional penetra mais facilmente?

Do mercado com que tive algum contato, que é o europeu, tenho a impressão de que há espaço para a boa música brasileira por todo o continente, apesar de achar que Portugal é por excelência a porta de entrada, devido a uma série de conexões culturais estabelecidas num nível já avançado. Para além disso, há por toda a Europa um circuito da chamada “música do mundo” já estruturado em vários aspectos (público, mídia, remuneração), e que por possuir uma grande abertura conceitual através da idéia da “world music”, permite a inserção de diversos estilos nos quais a música brasileira se encaixa de várias formas.

A participação de músicos/bandas brasileiros (as) vem crescendo no mercado internacional? É possível contabilizar isso?

Não tenho dúvidas de que hoje estamos munidos de plataformas de comunicação eficazes a um ponto de tornar cada vez mais viável a ampliação dos nichos de mercado dos artistas de toda parte do mundo. Além disso, a gradual tomada de consciência dessa possibilidade gera ações políticas positivas no sentido do fomento à circulação internacional (como os editais de que falei acima), criando novos pontos de apoio a esse processo de inserção e tornando essa realidade mais palpável a um número crescente de grupos artísticos.