Markus Schneider é considerado hoje um dos mais importantes e respeitados jornalistas de música da Europa. Passou por grandes emissoras de TV na década de 90, onde atuou como repórter.
Escreve sobre música e cultura pop desde os anos oitenta, atuando ativamente em revistas e jornais diários na Alemanha e na Suíça, predominantemente no Berliner Zeitung e Frankfurter Rundschau, Tages-Anzeiger de Zurique e Rolling Stone.
Nesta entrevista feita por Dirk Schade, relações públicas do BRMusicExchange na Europa, Schneider fala sobre música brasileira e sua projeção em toda a Europa.
Quão interessante é a música brasileira para jornalistas e rádios alemãs?
De um modo geral, com a evolução digital em pleno vigor, eu realmente não penso muito mais em questões de geografia.
Mesmo assim ainda é difícil encontrar uma maneira de driblar o domínio tradicional da musica anglo-americana e do pop nativo na Alemanha.
De um ponto de vista profissional, tem que haver um “que” de especial (além da música) para capturar o interesse dos meios de comunicação – como aconteceu por exemplo com Arto Lindsay ou o ”baile-mania” que dominou os clubes europeus alguns anos atrás, quando DJs/produtores como Diplo ou Will.I.Am inseriram sons brasileiros no mapa do mainstream.
O que músicos do Brasil podem fazer para atrair o interesse da mídia alemã?
Eu acho que uma coisa que ajuda drasticamente é ter um distribuidor local, capaz de estimular o interesse na região.
Jornalistas são inundados com novas músicas diariamente, então por isso eles tendem a arquivar e filtrar esse material.
É bem mais provável que um material com rotulo genérico como “Pop Brasileiro” seja arquivado em uma pasta cheia de “Vamos ver se tenho tempo para isso mais tarde” do que na pasta junto com outras “super bandas brasileiras de um selo internacional de qualidade”. Boca-a-boca também é válido.
Existem também festivais como os de HKW de Berlim, que apresentam pop mundial feito fora das rotas dominantes para umpúblico mais amplo.
Qual a importância dos meios digitais para promover artistas na Alemanha / Europa? As pessoas devem continuar usando elementos tradicionais, como CD ou publicidade impressa?
Profissionalmente, eu ainda confio nos canais tradicionais. Mas é claro que o buzz gerado funciona para chamar a atenção.
Em relação aos CDs – eu acho que depende. As redações são bombardeados com CDs e papel. Então, novamente, é importante chamar a atenção de alguma forma, seja através de um selo de confiança, um promotor respeitado…
O que você diria para músicos brasileiros que pretendem ingressar no mercado alemão?
Encontrar alguém que sabe sobre o negócio pop alemão e é ligada as distribuidoras,bookers, etc. Pessoas especializadas, promotores, bookers, jornalistas e distribuidores conhecerão os locais certos,rádio ou estações de TV, conselhos editoriais de jornais e revistas. (Suborne-os, convide-os a vir ao Brasil. Falando sério, é bem assim que os grandes trabalham. Convide um grupo de pessoas relevantes para conhecer a cena local, assim eles estarão mais dispostos a ouvir determinado tipo de musica). Conheça o seu gênero (e as competências de seu contato local), uma banda Samba precisa – desnecessário dizer – de diferente manuseio, localização, programas do que, por exemplo, um baile funk experimental ou doom metal.
Quando você pensa em música brasileira, quais artistas lhe vêm à mente?
Um monte de gente da Bossa-Nova, dos anos 60, é claro, de Tom Jobim, Gil, Veloso. Eu me interessei um pouco sobre o genero depois de ouvir coisas como Getz / Gilberto, Charlie Byrd… Soul Jazz Compilações de Tropicália e pós-Tropicália; compilações de Baile Funk de Daniel Haaksman. Diplo; N-1; Babe, Terror (vi em um Festival HKW); as produções de Arto Lindsays.




























