Dom La Nena é uma das artistas que prometem dar o que falar em 2013 http://goo.gl/JiExV. Isso porque, quando se trata de talento musical, essa gaúcha não tem nada de “pequena”, como seu apelido, em espanhol, indica. Batizada como Dominique Pinto, a cantora, autora e compositora cresceu entre três países: além da pátria verde e amarela, ela desenvolveu seus talentos na Argentina e também na França. A iniciação musical começou com o piano, mas é o violoncelo, que conheceu anos depois, o responsável por fazê-la ascender como estudante e profissional da música.
Apesar de jovem, La Nena tem bastante experiência e carrega consigo a participação em um projeto folk-rock com Rosemary Standley (do grupo de folk-rock Moriarty) e parcerias com Coming Soon, Camille, Sophie Hunger, além de colaborar no espetáculo “O Condenado à Morte”, uma homenagem ao centenário de Jean Genet feita por Etienne Daho e Jeanne Moreau.
Pupila de Christine Walevska, americana conhecida como “a deusa do violoncelo”, Dom aperfeiçoou suas habilidades com o instrumento em Buenos Aires, antes de voltar para Paris (cidade na qual residiu quando criança) aos dezoito anos e se tornar parceira de palco da cantora e atriz Jane Birkin. Após acompanhá-la em uma turnê internacional por dois anos, Dom começou a trabalhar em seu primeiro álbum e conheceu Piers Faccini, que foi o produtor de suas canções.
Ainda pouco conhecida no Brasil, Dom La Nena, como muitos de seus conterrâneos, começou a chamar a atenção na Europa e na América do Norte. Este ano já há shows confirmados na França e na Itália.
“Ela”, seu álbum de estreia, foi lançado em janeiro pelo selo americano Six Degrees.
Descrito como melancólico, poético, autêntico e maduro, apesar dos seus 23 anos, o álbum foi e continua sendo pauta de resenhas em veículos importantes como The New York Times, The Wall Street Journal, Le Journal de Montreal, além de vários portais sobre música e cultura na internet. “Ela” conta com participações especiais de Camille, Thiago Pethit e Kiko Dinucci.
O primeiro videoclipe da artista, “No meu país” pode ser visto na página oficial de Dom La Nena: http://www.domlanena.com
Além disso, Dom nos concedeu uma pequena entrevista, falando sobre seu trabalho e seu novo álbum:
1. Você faz parte desta nova geração de artistas brasileiros que são reconhecidos no exterior e muitas vezes se popularizam por lá e nem tanto aqui. Tendo vivido em 3 países diferentes enquanto crescia, como você enxerga isso?
Para mim o fato de estar tendo reconhecimento no exterior antes de ter no Brasil, é uma questão de circunstâncias e de sorte. Primeiro, porque moro na França há muito tempo, trabalho aqui como violoncelista há alguns anos, então já tenho um caminho percorrido no meio musical daqui. Depois, a gravadora com a qual estou lançando o disco é Americana (Six Degrees Records) e costuma fazer lançamentos internacionais. Por isso o disco foi lançado primeiro nos EUA e no Canadá, onde tem sido surpreendente, para mim, ver a acolhida maravilhosa que ele está recebendo da imprensa e do público. Como moro aqui na Europa, foi o segundo lugar onde o decidimos lançá-lo e também estamos recebendo retornos excelentes. Mas vou chegar ao Brasil ! Só está um pouco mais demorado porque nem eu nem a gravadora estamos ai, e é difícil coordenar tudo à distância.
2. Justamente por ter crescido em países diferentes, imagina-se que você utiliza diversas referências culturais costumes e música na hora de compor. O que mais te influencia musicalmente em cada país em que você viveu ou por qual já passou, incluindo o Brasil?
São várias as influências e é difícil falar sobre elas porque na maioria dos casos elas acontecem para mim de forma inconsciente. Só no Brasil são numerosas, mas talvez a que mais se ouça na minha música seja a simplicidade e o dramatismo que se encontram frequentemente nas letras (de Dorival, de Vinicius, de Jorge Ben, etc.). Aquelas histórias tão doces e tão simples, e aquelas que podem ser de morrer de amor… Na argentina também gosto muito do dramatismo dos tangos, e da simplicidade e da ingenuidade de algumas músicas do folklore como por exemplo de Athaualpa Yupanqui. Também ouvi muito Violeta Parra e Sílvio Rodriguez. Na França o que mais se ouve na minha música como influência da “chanson française” é o que em francês se chama de ‘ritournelle’, quando é um motivo musical repetitivo.
3. As resenhas sobre seu trabalho chamam a atenção para a sonoridade madura e melancólica que este carrega. Se o seu début, “Ela”, pudesse ser descrito em uma palavra, qual você usaria? Você utilizou muitas experiências pessoais para compô-lo?
Acho que o adjetivo que melhor definiria o disco é “sincero”. É um disco que foi feito realmente com muita naturalidade, sem pretensão de ser isso ou aquilo. Quando eu comecei a compor e a escrever as músicas, não foi com a intenção de um dia fazer um disco, era realmente pelo prazer e pela diversão de compor, de experimentar isso. Todo o processo de elaboração dele, o fato de ter sido feito sem ainda ter uma gravadora atrás e sem mesmo ter a certeza de que um dia se tornaria efetivamente um objeto, possibilitou que ele fosse feito com calma e com muita sinceridade. É claro que minhas experiências pessoais, embora de forma inconsciente (como para minhas influências) também se reflete na minha música, como por exemplo, o fato de viver longe do Brasil há tantos anos, de ter crescido em vários países, saído de casa muito cedo, etc.
4. Você pretende fazer uso de alguma estratégia mais agressiva para que seu trabalho atinja mais o público brasileiro ou acha que isso tem de acontecer com naturalidade? Na ocorrência de uma tour, você pretende passar por bastante cidades no Brasil?
Não temos uma estratégia agressiva, por enquanto as coisas estão acontecendo por elas mesmas, com naturalidade… A Six Degrees está vendo a melhor maneira de lançar o disco oficialmente aí. Agora em abril vou passar alguns dias em São Paulo para fazer um pouco de promoção (entre outras coisas, participar da próxima temporada do programa ´´Cantoras do Brasil´´ – do canal Brasil) e justamente, começar a organizar melhor o lançamento no Brasil. Eu sonho em poder fazer uma turnê Brasileira e conhecer melhor cada canto do país! Espero que possamos organizar isto em breve !




























