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Entrevista com Evelyn Sieber – Gerente de Projetos do Reeperbahn Festival Hamburgo / Alemanha

17 dezembro, 2012 | Exchange, português

Evelyn Sieber recebeu seu diploma em Negócios Internacionais, com especialização em finanças e gestão de eventos antes de iniciar a carreira em um mundo diferente – trabalhando em hotéis 5 estrelas na Alemanha e na Flórida, EUA. Em 2003, ela decidiu tirar a roupa de empresária e se juntar ao circo da indústria da música. Ela começou na Womex – World Music Expo, onde, em 6 anos, se tornou chefe de produção.

Em 2010, ela encontrou sua nova casa em Hamburgo, juntando-se à equipe de Reeperbahn Festival, onde ela é responsável pelas cooperações internacionais e showcases.

Contato: sieber@infernoevents.com.

1. Por que o Festival Reeperbahn é interessante para o cenário musical e para a música brasileira?

O primeiro de uma longa lista de argumentos seria:

“É a porta para o mercado de música alemão e europeu”

Sendo a Alemanha um dos principais mercados europeus para a música brasileira e o Reeperbahn Festival a maior plataforma de encontro nacional e internacional na Alemanha … faça o cálculo.

2. Qual é a marca do evento e como ele se diferencia da longa lista de eventos semelhantes?

O Festival de Reeperbahn é um festival comercial normal (sim, não fique chocado, nós pagamos aos artistas), com a reputação de ser um festival que traz novidades para os amantes de música – especialmente com bandas que ninguém, fora os geeks, conhece.

Isto, obviamente, chama a atenção da indústria da música, e é por isso que iniciamos o Reeperbahn Festival Campus como uma plataforma para fazer contatos há alguns anos.

Adicionando todos os benefícios profissionais para fazer da visita dos participantes a melhor experiência possível: conferências, sessões de networking com associações alemãs e internacionais, showcases, matchmakings etc.

Além da extensa programação artística, distribuído em 60 locais – todos próximos – na maior área de entretenimento da Alemanha, torna o evento tão divertido quanto produtivo.

3. Como os profissionais da música têm que se preparar para o Reeperbahn Festival? Quais são as suas principais regras pessoais?

Saiba o que você quer alcançar e com quem quer falar. Procura por um selo na Alemanha / Europa? Então aproveite o tempo para fazer uma busca detalhada, no lugar de mandar e-mails em massa.

Reserve cerca de 20% do seu tempo durante o dia para observar – os negócios acontecem no bar, tanto quanto nas reuniões. E no Reeperbahn Festival existem muitos bares. ;-)

4. Como é feita a seleção das apresentações e showcases e quais estilos musicais vocês preferem?

Gêneros: Rock, Pop, Indie, Cantor-compositor, Folk e Música Eletrônica.

Há duas abordagens diferentes:

Comercial:

Começando por volta de abril, através do Sonicbids ou pela escolha da nossa equipe de seleção e ainda por recomendação de nossos contatos. Acredito que todos que estão lendo este texto sabem como é feita a seleção de um festival comercial.

Showcase:

Descubra se existe um artista brasileiro a quem você pode se unir, ou se já tem outro parceiro interessado em participar ou apenas entre em contato comigo.

Nossos showcases constumam contar com 3 bandas ou mais, mas isso não está escrito em pedra. Estamos abertos para novos desenvolvimentos.

As diferenças entre uma showcase e um show comercial são: o showcase envolve um custo, é especialmente promovido para os visitantes B2B – nossos delegados do Reeperbahn Festival – e são indicados como showcases na divulgação.

Eles acontecem no período da tarde e tarde / noite – em alguns locais onde também acontecem os shows comerciais, de acordo com o desejo do parceiro do showcase e da disponibilidade do local. Um ponto é muito importante: nós realmente verificamos e frequentemente rejeitamos apresentações para showcase, mesmo que haja um parceiro disposto a pagar por ele. Como os showcases são parte da nossa programação oficial, é extremamente importante para nós que o estilo e a qualidade da apresentação sejam adequados ao Reeperbahn Festival.

5. Seu evento não conta com stands ou área de exposição. Qual é a estrutura do Reeperbahn Festival?

Temos um lounge para delegados, com muitas atividades acontecendo a fim de ajudá-los a encontrar as pessoas certas.

Por exemplo, conferências, sessões selecionadas de matchmakings e networking com associações nacionais e internacionais (como IMMF ou Yourope, o German promoter’s (BDV), indie label (VUT), associações de editoras (DMV).

E, claro, os delegados são bem-vindos nas apresentações / showcases / festas organizadas por parceiros como Music Service Asia, Warner, CIMA, Believe Digital, departamento de exportação e muitos outros.

6. Pode dar uma breve história do Festival de Reeperbahn?

Algo para os interessados em dados:

2006 – 1 º Festival de Reeperbahn com 10.000 visitantes, 200 apresentações, 25 locais

2007 – 12.500 visitantes, 125 apresentações, 15 locais

2008 – 15.000 visitantes, 140 apresentações, 17 locais

2009 – 1 º Festival Reeperbahn Campus com plataforma B2B com 1.200 delegados, 17.000 visitantes, 160 apresentações, 21 locais

2010 – 1.500 delegados de 24 países, 17.000 visitantes, 180 apresentações, 27 locais

2011 – 2.000 delegados de 30 países, 20.000 visitantes, 200 apresentações, 50 locais

2.012 – 2.500 delegados de 34 países, 25.000 visitantes, 290 apresentações, 60 locais

2013 – espero que pelo menos mais um delegado: você.


Dirk Schade entrevista Markus Schneider

07 dezembro, 2012 | Exchange

Markus Schneider é considerado hoje um dos mais importantes e respeitados jornalistas de música da Europa. Passou por grandes emissoras de TV na década de 90, onde atuou como repórter.

Escreve sobre música e cultura pop desde os anos oitenta, atuando ativamente em revistas e jornais diários na Alemanha e na Suíça, predominantemente no Berliner Zeitung e Frankfurter Rundschau, Tages-Anzeiger de Zurique e Rolling Stone.

Nesta entrevista feita por Dirk Schade, relações públicas do BRMusicExchange na Europa, Schneider fala sobre música brasileira e sua projeção em toda a Europa.

Quão interessante é a música brasileira para jornalistas e rádios alemãs?

De um modo geral, com a evolução digital em pleno vigor, eu realmente não penso muito mais em questões de geografia.

Mesmo assim ainda é difícil encontrar uma maneira de driblar o domínio tradicional da musica anglo-americana e do pop nativo na Alemanha.

De um ponto de vista profissional, tem que haver um “que” de especial (além da música) para capturar o interesse dos meios de comunicação – como aconteceu por exemplo com Arto Lindsay ou o ”baile-mania” que dominou os clubes europeus alguns anos atrás, quando DJs/produtores como Diplo ou Will.I.Am inseriram sons brasileiros no mapa do mainstream.

O que músicos do Brasil podem fazer para atrair o interesse da mídia alemã?

Eu acho que uma coisa que ajuda drasticamente é ter um distribuidor local, capaz de estimular o interesse na região.

Jornalistas são inundados com novas músicas diariamente, então por isso eles tendem a arquivar e filtrar esse material.

É bem mais provável que um material com rotulo genérico como “Pop Brasileiro” seja arquivado em uma pasta cheia de “Vamos ver se tenho tempo para isso mais tarde” do que na pasta junto com outras “super bandas brasileiras de um selo internacional de qualidade”. Boca-a-boca também é válido.

Existem também festivais como os de HKW de Berlim, que apresentam pop mundial feito fora das rotas dominantes para umpúblico mais amplo.

Qual a importância dos meios digitais para promover artistas na Alemanha / Europa? As pessoas devem continuar usando elementos tradicionais, como CD ou publicidade impressa?

Profissionalmente, eu ainda confio nos canais tradicionais. Mas é claro que o buzz gerado funciona para chamar a atenção.

Em relação aos CDs – eu acho que depende. As redações são bombardeados com CDs e papel. Então, novamente, é importante chamar a atenção de alguma forma, seja através de um selo de confiança, um promotor respeitado…

O que você diria para músicos brasileiros que pretendem ingressar no mercado alemão?

Encontrar alguém que sabe sobre o negócio pop alemão e é ligada as distribuidoras,bookers, etc. Pessoas especializadas, promotores, bookers, jornalistas e distribuidores conhecerão os locais certos,rádio ou estações de TV, conselhos editoriais de jornais e revistas. (Suborne-os, convide-os a vir ao Brasil. Falando sério, é bem assim que os grandes trabalham. Convide um grupo de pessoas relevantes para conhecer a cena local, assim eles estarão mais dispostos a ouvir determinado tipo de musica). Conheça o seu gênero (e as competências de seu contato local), uma banda Samba precisa – desnecessário dizer – de diferente manuseio, localização, programas do que, por exemplo, um baile funk experimental ou doom metal.

Quando você pensa em música brasileira, quais artistas lhe vêm à mente?

Um monte de gente da Bossa-Nova, dos anos 60, é claro, de Tom Jobim, Gil, Veloso. Eu me interessei um pouco sobre o genero depois de ouvir coisas como Getz / Gilberto, Charlie Byrd… Soul Jazz Compilações de Tropicália e pós-Tropicália; compilações de Baile Funk de Daniel Haaksman. Diplo; N-1; Babe, Terror (vi em um Festival HKW); as produções de Arto Lindsays.


Entrevista: Johannes Theurer

03 julho, 2012 | Exchange

Johannes Theurer é um experiente editor e produtor de rádio em Berlin, presidente da “World Music Workshop of the European Broadcasting Union” (a maior associação de emissoras do serviço público), editor da “World Music Charts Europe” (que reúne 46 locutores de rádio em 24 países) e curador do catálogo de música online dismarc.org.

Contato: Johannes.Theurer@rbb-online.de

Leia abaixo uma entrevista com ele:

O quão interessante é a música brasileira para os jornalistas de música e estações de rádio alemãs?

Temos que dividir os meios de comunicação em duas áreas principais, o interesse especial e o “mainstream”. Produtores de programas de interesse especial podem querer acompanhar as tendências no Brasil. Em particular, artistas do jazz ou da world music se sentem obrigados a tocar música brasileira de tempos em tempos. Gravadoras independentes têm uma boa oportunidade de serem ouvidas e de serem descobertas no ar. DJ Dolores, Nação Zumbi, Lenine e outros encontram atenção nesses nichos. Mas será que eles também encontrarão um lugar para transmissão? Eles têm que dividir um espaço muito limitado com muitas outras nações da África, América e Ásia, mais um monte de gravações do circuito alternativo da Europa. A competição é dura.

Nos principais programas a imagem do Brasil ainda se caracteriza por Bossa Nova. Desde que a Lambada aconteceu, Getz / Gilberto é, talvez, a música brasileira mais tocada nas rádios mainstream. Ao mesmo tempo megastars como Ivete Sangalo são quase desconhecidos na Alemanha. Bebel Gilberto ou CEU têm suas oportunidades como os modernos pós-Bossa.

O que os músicos brasileiros podem fazer para atrair o interesse da mídia alemã?

Prepare-se para jornalistas que não falam português. Suas informações precisam estar em inglês, alemão seria ainda melhor. Se você tiver uma mensagem, formate-a. Não gaste muito tempo com o pessoal de mídia para traduzir sua história. Deixe-a curta e simples! Se você tiver um link com Jobim, Gil ou outros clássicos, diga. Compare a sua música a outras tendências globais, não apenas a fenômenos regionais brasileiros. Não há necessidade de enviar presentes, jabá é praticamente desconhecido na Alemanha. Contate pessoas que falam inglês ou alemão, elas reagirão instantaneamente. Sua música pode ser ouvida com mais curiosidade se ela vier como parte de uma história geral, por exemplo, se tratar de futebol, carnaval ou  Amazonas. Se uma banda está em turnê, ela pode se tornar interessante para a editoria de cultura como informação atual (mas apenas por um período muito limitado).

Seu ponto de acesso para a Alemanha pode ser o seu produtor, que organiza uma turnê. Ele vai reportar à mídia local de acordo com suas experiências, ou o seu selo pode enviar seus CDs para jornalistas selecionados, como os apresentadores de rádio no júri do World Music Charts Europe, que há mais de 21 anos de existência já se tornou uma influente rede para caçar talentos do mundo todo. Se você ler uma boa história sobre o Brasil em um jornal, dê um google no autor e entre em contato direto com ele em vez de enviar os seus CDs para o escritório editorial. Além disso, você pode optar por contratar um promotor de mídia, mas certifique-se de que você concorda com uma estratégia que é entendida por ambos os lados da mesma maneira antes de começar. Contratar um promotor não sai barato, mas pode ser uma boa escolha se você realmente deseja alcançar algum status.

Qual a importância dos meios digitais para promover artistas na Alemanha / Europa? As pessoas devem também usar os elementos tradicionais, como CD ou publicidade impressa?

Se você quiser construir o nome de um artista, você tem que considerar que a promoção e divulgação online valem muito. Mas quanto peso isso realmente terá? Você nunca sabe. Enquanto blogueiros vão gostar de citar uma declaração de mídia impressa ou rádio do Reino Unido ou dos Estados Unidos, eles dificilmente serão citados de volta nas rádios ou jornais. A propósito: esqueça a mídia em português se você quiser atingir a Europa. Eu não acho que faça muito sentido investir em publicidade online. Revistas impressas ou anúncios tomam muito do seu orçamento também. Pode ser muito difícil alcançar seu ROI (retorno sobre investimento). Você deve ser facilmente rastreável por algum vídeo do Youtube (mesmo não estando na melhor qualidade, ele pode mostrar sua personalidade), além disso, algumas faixas no Myspace são úteis para que um jornalista obtenha uma visão geral acerca do seu projeto. Quando isso se torna uma transmissão real, seu contato na rádio escolherá músicas da pilha de CD’s dele/dela. Isto significa que o produto físico deve estar nas mãos destas pessoas.

Qual a melhor maneira para que artistas e produtores brasileiros se introduzam na Alemanha?

Não há uma estratégia real de como se fazer isso. Tentativas e erros são normais. Geralmente se deve começar em grandes cidades, como Berlin e Hamburgo, mas lá você também pode encontrar uma forte competição. O que eu disse sobre a língua se aplica novamente: se você não consegue se comunicar em inglês, esqueça! Se você fala alemão, ganhou mais pontos. Shows e apresentações são cruciais para tonar o artista conhecido, então o trabalho dos produtores tem de ser feito. Os festivais podem ser vistos de cima a baixo na lista do “European Forum of Worldwide Music Festivals”. Conheça o perfil de cada um deles. Você pode se oferecer como uma contribuição brasileira para o programa do festival que vem com apoio governamental da turnê? Muito bem, isso deve inspirar a conversa com os produtores do festival. Se você quiser ver pessoalmente sobre o que é o negócio da World Music, venha e visite a Womex, em outubro.

Quando você pensa em música brasileira, o que vem em sua mente? Você tem alguns artistas favoritos?

É natural que se pense em Gilberto Gil imediatamente. Jobim, Lenine, Caetano Veloso, Nação Zumbi, Luisa Maita, Tom Zé. E eu ainda não me esqueci do Olodum.Meus favoritos? Mawaca por exemplo. Lucas Santtana, Hamilton de Holanda, Gilberto Gil, SPOK Frevo Orchestra e muitos outros.

Na verdade eu quase não tenho nenhum favorito fixo do Brasil. Eu escuto mais novos lançamentos brasileiros com curiosidade.


Jazzahead 2012

13 abril, 2012 | Mercado da Música

Amantes do jazz, atenção: de 19 a 22 de abril a cidade de Bremen, Alemanha, será palco de um dos eventos mais importantes do gênero. Considerado pelos seus organizadores como uma “exposição e ponto de encontro do jazz internacional” o Jazzahead traz para o Centro de Exposições de Bremen os mais importantes nomes do jazz mundial.

Combinando festival, conferências, exposições e “clubnights”, o evento é tido como quase obrigatório para quem busca aumentar seus conhecimentos sobre o assunto e ampliar seus contatos. A edição do ano passado reuniu 357 expositores de 30 países diferentes, 2000 profissionais, 3.600 visitantes e cerca de 65 shows.

O festival é particularmente interessante para os músicos brasileiros, afinal, muitos estilos de música brasileira são constantemente catalogados e anunciados ao público europeu como jazz.

Na edição deste ano, Dirk Schade, RP da BM&A na Alemanha, estará presente no evento. O BRMusicExchange irá representar empresas nacionais e interesses musicais, tendo o seu próprio stand, que funcionará basicamente como sede para os artistas e gravadoras brasileiras presentes.

Destaques brasileiros

O músico Hamilton de Holanda abriu caminho para outros artistas brasileiros durante a edição do festival no ano passado. Ele foi o primeiro artista nacional a tocar no Jazzahead e foi considerado um enorme sucesso.

Este ano, o país será representado pelo Trio Corrente, escolhido pelos produtores devido ao claro foco dos músicos no mercado internacional.


Entrevista com Mario Christiani – Diretor da music2deal (Hamburgo/Alemanha)

24 novembro, 2011 | Exchange

Music2deal:

music2deal.com é uma comunidade B2B para a indústria da música. É como se fosse o MIDEM online ou o myspace, mas só para profissionais, pois cada solicitação de inscrição é enviada aos representantes nos mais de 30 países. Music2deal tem como tópico principal “relacionamento e trabalho com música”. O design do site se adapta as necessidades dos profissionais, dando-lhes as melhores possibilidades para encontros, negociações e networking em um contexto de negócios.

Mario Christiani:

Mario Christiani é proprietário e diretor do music2deal. Começou como músico e estudou economia na Universidade de Hamburgo fundando a primeira versão do site em 2002.

Entrevista:

O quão interessante é a música brasileira para jornalistas e empresários alemães?

A música brasileira estará mais e mais em foco graças a Copa do Mundo, em 2014. Esta será uma grande oportunidade de tornar a música do Brasil mais popular em outros países.

O que os músicos brasileiros podem fazer para que a grande mídia alemã se interesse por eles?

O primeiro passo é produzir boa música, independentemente da mídia alemã, francesa ou britânica. Como a Copa do Mundo está se aproximando, haverá a necessidade de música “típica” brasileira. Algumas pessoas irão olhar além do mainstream, assim a música “não-típica” deverá ser descoberta. Para tornar essa situação favorável, músicos e empresários do Brasil devem firmar as bases para o sucesso e construir uma rede de negócios na Alemanha/Europa para que se tornem conhecidos.

Quão importantes são as mídias digitais para promover artistas na Alemanha/Europa? Os músicos devem também usar os elementos tradicionais como CD’s ou propagandas impressas?

A mídia digital está se tornando cada vez mais relevante, mas, hoje, eu ainda recomendo uma mistura com os elementos tradicionais.

O que você recomenda para que artistas e/ou agentes brasileiros consigam entrar no mercado alemão?

O primeiro passo é contatar pessoas ligadas ao mercado da música. Com as pessoas e produtos certos, você tem uma melhor possibilidade de entrar no mercado alemão. Pode-se encontrar a maioria delas no facebook ou Linkedln. Facebook tem mais ou menos um foco privado, enquanto o LinkedIn é uma comunidade de negócios. Ambos são ótimos, mas eles não são adequados ao mercado da música. Independente de eu ser o diretor da empresa, eu gostaria de participar do music2deal, pois lá há mais de 5.000 profissionais da música e muitos deles são da Alemanha. A inscrição é gratuita.

Quando você pensa em música brasileira, quais artistas vêm à sua mente? Tem algum músico preferido do Brasil?

Eu não acho que muitas pessoas conheçam um artista brasileiro na Alemanha. Ivete Sangalo foi mencionada na mídia como a Madonna do Brasil, mas muita gente não a conhecia. A maioria das pessoas, e também eu mesmo, pensam em samba, música alegre, dançarinos coloridos e raios e sol quando pensam em música brasileira.


Dirk Schade entrevista Claudia Frenzel

26 outubro, 2011 | Exchange

Claudia Frenzel é originária de Thuringia e jornalista freelancer de música (rádio e jornal). Trabalhou por 7 anos como editora de música na rádio nacional RBB Rádio Multikulti e agora trabalha para RBB/ WDR Funkhaus Europa. Na Rádio Multikulti foi responsável por várias apresentações de DJ’s, incluindo um show de música brasileira mensal, hospedado por Djane Grace Kelly Mendonça. Produziu vários trabalhos lidando com música nos últimos anos, como o projeto de intercâmbio alemão-israelense “Iland“;  programação de música para “Kulturstadion” durante o Mundial IAAF de Atletismo 2010, em Berlim; programação de música Fête de la Musique Berlin desde 2008 e foi membro do júri de vários eventos culturais na Alemanha, como Rudolstadt Festival, o maior festival alemão de música mundial e de raiz. Cláudia é especializada em música israelense e world music. Com sua parceira Elina Tilipman, ela fundou a agência de artista WIAA – WANTED! Internacional que faz consultoria, promoção e turnês de música. Também estão desenvolvendo conceitos para produções especiais e intercâmbios musicais. “A música é uma linguagem que todos entendem”, diz.

Quão interessante é a música brasileira para os jornalistas e estações de rádio alemãs?

Em geral, os jornalistas e rádios estão interessados somente na música mainstream. A Funkhaus Europa apresenta a música pop de todo o mundo. Eu acho que outras estações apenas mostram “clichês” como Samba e Bossa Nova e nomes conhecidos como Gilberto Gil ou Seu Jorge.

O que os artistas brasileiros podem fazer para despertar o interesse da mídia alemã?

Hum, boa pergunta: Se eu tivesse uma resposta, provavelmente estaria rica. Acho que, em geral, a mídia popular alemã está procurando principalmente os mercados do Reino Unido, EUA e talvez alguns outros lugares. A mídia como um todo, como sabemos, não está interessada em histórias pequenas. É claro que alguma coisa que é solicitada pelo público terá lugar. Mas com certeza o artista deve marcar presença na Alemanha para que seja apresentado pela mídia ao público. Se um artista não está em turnê, não há história, mas se há shows acontecendo, haverá história.

Qual a importância dos meios digitais para promover artistas na Alemanha / Europa? As pessoas devem também usar os elementos tradicionais como CD ou publicidade impressa?

Pessoalmente eu sou uma fã da nova era. Eu acho que você pode apresentar bandas tão bem digital quanto fisicamente. E também acho que isto é mais “eco-friendly”, pois sabemos que lotes de cd’s são distribuídos ao redor do mundo e nunca ouvidos. Sei que alguns jornalistas não noticiam aquilo que não possuem fisicamente, mas, em minha opinião, isso é apenas uma questão de tempo.

Como você recomenda que artistas e produtores se iniciem na Alemanha?

Tenha um plano e lembre-se: não é porque você é conhecido em casa que será fora de casa. É um novo começo na Europa. Tenha um plano sobre qual é o seu objetivo e o seu público, seja realista e saiba que se trata de um investimento no começo. Fique atento a eventos já existentes para se apresentar (como Fête de la Musique) ou participe de feiras de música com apresentações de seu país (como WOMEX, Babel Med, PopKomm, Reeperbahn etc). Tenha um forte planejamento de marketing e grande público local para isto.

Quando você pensa em música brasileira, quais artistas vêm à sua cabeça? Você tem algum artista favorito do Brasil?

Quando comecei a trabalhar com World Music, o Brasil nunca tinha sido um grande atrativo para mim, pois só tinha em mente o mainstream clichê sobre Samba e Carnaval.  Até que um amigo e DJ, Garcé Kelly, apresentou-me a música do norte do Brasil, o forró, e muito mais, então eu acho que sei muito mais sobre a música brasileira hoje. Quando penso em música do Brasil, tenho em mente nomes como Fernanda Abreu, Bebel Gilberto, Marisa Monte, Chico Buarque, Sergio Mendes, Olodum, Tom Zé etc.