O projeto Encounters, realizado na Bahia no ano passado e promovido pelo Brasil Music Exchange em parceria com a APEX- Brasil, rendeu mais um fruto: Bass Culture Clash: Salvador VS London é uma oportunidade única para ver alguns dos melhores artistas da cena bass de Londres frente a frente com correspondentes de Salvador, capital brasileira do estilo. Entre os dias 10 e 12 de maio, haverão apresentações do festival no icônico bairro do Pelourinho, em Salvador e, no Reino Unido, as apresentações acontecerão entre 16 e 18 de maio.
O Brasil está se preparando par ser anfitrião da Copa do Mundo (2014) e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos (2016) e este projeto estimula o intercâmbio internacional intercultural através da pista de dança, sendo um portal para o coração da Bahia. O Bass Culture Clash: Salvador VS London é realizado pela agência British Underground, de Crispin Parry, que participou do Encounters na Bahia em 2012,e pela Secretaria de Cultura da Bahia.
Um dos mais formidáveis espaços para festas musicais de Londres, The Heatwave, vai trazer uma super atração, com a rainha das pistas de dança do Reino Unido, MC Lady Chann.
Outro artista que irá se apresentar é um graduado da Cultura Bass no SXSW 2012: o londrino Natty. Ele vai revelar suas raízes musicais com suas melodias.
As bandas brasileiras presentes no festival são do interior da Bahia e se destacaram na Europa pela participação na coletânea Brazilian Bass Culture & Beyond que foi lançada no estande do Brasil Music Exchange, em parceria com Bahia Music Export na Womex da Grécia, em 2012.
OQuadro, um dos principais artistas da cena no país, visa intensificar a “batalha” com hip hop “old-school”, no estilo de Salvador.
A outra banda brasileira, Os Nelsons, vai desencadear a conexão entre as batidas baianas e o “ghettotech” global. Com influências que vão de Vybz Kartel, Marley e Devlin a Jackson do Pandeiro, Racionais MCs e Buraka Som Sistema. Caprichado nas batidas de dub e reggae.
Confira a programação:
BRASIL:
Sex 10 mai Teatro Municipal, Ilhéus, Bahia
Sáb 11 mai Cultura Baixo Clash Festival, Pelourinho, Salvador, Bahia
Dom 12 mai Baixo Festival Clash Cultura, Pelourinho, Salvador, Bahia
UK:
Qui 16 de maio 19:00-23:00 Roundhouse, em Londres
Sex 17 maio 12:30-16:00 Komedia, The Great Escape, Brighton
Sáb 18 mai 19:00-21:00 Muévete, Notting Hill Arts Club, London (Os Nelsons + OQuadro)
Há muitas maneiras de encontrar música brasileira de qualidade ao redor do mundo. Se você está buscando uma abordagem mais profissional sobre artistas e bandas, procurar por uma agência profissional é uma das melhores opções.
Muitos são os nomes das empresas que recentemente (algumas não tão recentemente assim) centraram a atenção na nossa produção cultural, e desde então tem se especializado na comercialização de nossa arte a públicos específicos fora do Brasil.
Um exemplo desta estratégia é o trabalho apresentado pela agência Helico, baseada na França. Fundada em 2004, Helico é uma gravadora, uma agência de viagens e uma empresa de edição musical. Ela também lida com a promoção de outras gravadoras em projetos voltados para o mercado europeu. Dedicado principalmente à música brasileira, é também aberto a outros ritmos classificados sob o rótulo de World Music.
Como muitas outras agências, Helico acaba de lançar o seu plano de trabalho 2013 com artistas brasileiros, o que inclui o lançamento e promoção de nomes como Márcio Faraco,Casuarina, Roda do Cavaco e BaianaSystem. Todos estes nomes devem estar em turnê internacional ao longo do ano.
Outra agência de reservas e etiqueta dedicada à música brasileira – também baseada na Europa, é Outro Brasil. Com uma gama de serviços que vão desde a promoção de reserva a catálogo de artistas, a maioria do nordeste do estado de Pernambuco, e Rio de Janeiro, Brasil Outro também é uma opção para quem quer contratar talentos brasileiros.
Dedicado não só à nossa música, mas com uma quantidade considerável de títulos brasileiros em seu catálogo, a californiana Eye for Talent pode ser uma boa opção para aqueles que procuram as agências nos EUA. Promovendo nomes de qualidade de nossa cena contemporânea, a sua lista de artistas inclui nomes como o samba sensação de Diogo Nogueira, o inovador e exímio tocador de bandolim Hamilton de Holanda, e o notável compositor brasileiro e multi-instrumentista Hermeto Pascoal.
Para os interessados em negócios efetivos envolvendo música brasileira, buscar representantes regionais e nossas tendências musicais nacionais é, sem dúvida, um dos melhores caminhos a seguir.
Aconteceu entre os dias 30 de janeiro e 02 de fevereiro, a edição 2013 do Porto Musical, no Recife. Com objetivo de estimular a criação de redes de profissionais, trocar conhecimentos, fazer contatos e gerar negócios, o evento é realizado a cada dois anos, sendo já consolidado e com visibilidade internacional.
A 6ª edição do Porto Musical reuniu produtores nacionais e internacionais e músicos independentes de todo país. Paulo André Pires, diretor do evento e também do conhecido festival independente “Abril Pro Rock”, afirma que a edição do PM 2013 foi melhor que a anterior, de 2011.
Este ano, foi apresentada pela primeira vez a ação “On to One”, modelo de speed meeting, onde participantes agendavam encontros com palestrantes para falar sobre seus trabalhos e receber sugestões personalizadas. O evento contou ainda com uma ampla agenda de shows e palestras.
Para Paulo André, as palestras funcionam como “pequenas aulas”. Ele destaca a Mesa Redonda 3, que aconteceu no terceiro e ultimo dia do evento. Com o tema “O lugar da música nos eventos esportivos internacionais: a realidade”, a conferência trouxe para o debate o sulafricano Sipho Sithole, membro da organização da Copa do Mundo na África 2010, Brynn Ormrod, da Barbican Centre, Jonathas de Vargas, da Geo Eventos (grupo que deve organizar a Copa 2014), e Rosa Santanta, do SECOPA, do Governo de Pernambuco. “A velocidade da música brasileira não é tão rápida (…) Além de trazer a cadeia produtiva (produtores, artistas etc), eles trouxeram para os brasileiros uma maneira de entender melhor o cenário do mercado da música internacional”, afirma Paulo André.
Cena independente
Para Paulo, “o Porto Musical aborda muito a cena independente, se tornou natural”. Um exemplo das relações que são firmadas nesse modelo de evento é o músico pernambucano Zé Manoel, que abriu com um show a conferência desse ano. Após sua participação na WOMEX (o Porto Musical, por sinal, é o único evento internacional do mercado de música que a WOMEX apoia), o cantor agora tem parceria com a V.O. Music, produtora parisiense que agora trabalha na sua carreira internacional. “A parceria com V.O Music veio depois do Observa & Toca, eles já trabalham com outros artistas, houve essa proximidade e fechamos a parceira”
O contato foi realizado depois da V.O Music ver os primeiros vídeos profissionais dele, produzidos para o “Observa e toca”, um projeto da Fundarpe.
A presença da APEX, pela primeira vez no Porto Musical, é um fato importante para esse tipo de convenção, destaca Paulo. “Fiquei muito feliz com a presença da APEX, as presenças de órgãos Federais”, afirma. O diretor defende essa participação e aproximação da APEX e da Rádio Nacional, pois mostra que o poder público entende o momento que o evento está vivendo.
O próximo Porto Musical deve acontecer em 2015, marcando os 10 anos da maior convenção de música e tecnologia do país.
Já não é novidade que a internet revolucionou o mercado musical. A constatação já soa até como clichê, mas, além disso, outros formatos de negócios andam agitando a indústria fonográfica, como os já consagrados comerciais publicitários e a sensação do momento, os games.
A música brasileira já percebeu que esse pode ser um campo bem fértil para artistas nacionais. Tulipa Ruiz, Zemaria, Marcelo D2, Curumin e Azymuth são alguns exemplos de artistas brasileiros com faixas em games mundialmente famosos. A franquia “Fifa” já vendeu cem milhões de jogos desde 1996, e consagrou músicas para milhões de jovens do mundo todo. Niper Boaventura, produtor musical e sócio da licenciadora DaFne Music, encaixa-se no quadro. Para ele, Guitar Hero salvou o rock.
“Efêmera”, de Tulipa, e “The space ahead”, de Zemaria, estão em “Fifa 11”, jogo que vendeu mais de 2,6 milhões de cópias, faturando mais de €100 milhões só na Europa.
Mas como emplacar uma música em um game desse tipo? Niper explica que na maioria dos casos o projeto tem um curador ou produtor responsável por essa área. Há também artistas com agentes especializados nisso, licenciadoras como a própria DaFne e acordo com gravadoras. A YB, por exemplo, é uma das requisitadas da EA Sports para análise de catálogo, além de outras empresas de games, cinema e tv.
Retorno
Mas engana-se quem acha que terá um grande retorno financeiro apenas por colocar uma música em um jogo de videogame. “O dinheiro que isso rende é irrisório. Na verdade esse tipo de negócio funciona como uma grande vitrine que pode ser transformada em mídia. É divulgação. Isso pode se reverter em notas, matérias, shows…”, explica. Para o produtor, esse pode ser um passo arriscado também, uma vez que as pessoas podem começar a odiar a faixa. “É preciso tomar cuidado para a oportunidade não se transformar em um tiro no pé. Em comerciais temos um contrato, por exemplo, de 1 ano, já nos games, a música fica pra sempre”, diz.
Brasilidade
Com a chegada dos grandes eventos internacionais no país, o mundo está com os olhos voltados para o Brasil – o que já se tornou outro clichê. Mas isso pode abrir muitas portas para a música brasileira no mercado publicitário internacional e também nos novos meios de negócio.
Niper, entretanto, acredita que certas sonoridades brasileiras com características regionais e menos conhecidas no exterior, como maracatu e afoxé, por exemplo, não têm muito espaço no mercado externo. “Os Ritmos brasileiros como um todo são difíceis se firmar lá fora, pois são muito diferentes para o público internacional. E a música é consumida por jovens, que gostam de coisas mais contemporâneas. O que vejo é música eletrônica mesclada com sonoridades do Brasil, rock britânico com instrumentos brasileiros. Acho que a tendência é essa. Uma palavra que tenho ouvido constantemente é: ‘brasilidade’”, completa.
Um dos nomes mais importantes da música brasileira (porque não dizer de todos os tempos?) será lançada mundialmente mais de uma década após sua morte. Sebastião Rodrigues Maia, o Tim Maia, teve seus maiores hits compilados em um álbum, que será lançado pelo selo alternativo Luaka Bop, em 2 de outubro.
O cantor e compositor é considerado um dos mais icônicos artistas da história da nossa música moderna, responsável por apresentar a soul music e suas variações ao público brasileiro, sempre brincando com o ritmo e o ajustando à realidade nacional.
Para explicar um pouco mais sobre esse projeto, o BRMusicExchange conversou com Yale Evelev, co-proprietário da Luaka Bop, que compartilhou um pouco sobre suas impressões à respeito de Tim Maia e os detalhes sobre o lançamento da álbum.
Por que lançar um disco com as canções de Tim Maia?
Porque ele é ótimo!
De onde surgiu o interesse?
Paul Heck, do Red Hot Organization, que também trabalhou conosco na coletânea Shuggie Otis, nos apresentou essa ideia 10 anos atrás. Levamos todo este tempo para lançá-la.
Como você escolheu as canções que compõem o álbum?
Eu as escolhi junto com o Paul, mas também tivemos a ajuda do jornalista Allen Thayer e dos DJ’s nova-iorquinos Greg Caz e Ross1.
Você poderia falar um pouco mais sobre os detalhes desse disco? As canções, o lançamento?
Poucos dias antes do grande lançamento do nosso álbum ‘World Psychedelic Classics 4: Nobody Can Live Forever: The Existential Soul of Tim Maia‘, no dia 2 de outubro, nós pensamos em fazer uma celebração mundial pelo o que teria sido o 70º aniversário de Tim, em 28 de setembro, celebrando sua vida e seu legado com esse novo registro, e um dia oficial do Tim Maia. O evento funcionará como uma espécie de franquia. Nós vamos ajudar com o marketing global e RP, bem como uma série de fortes ativos promocionais e, claro, a oportunidade de fazer parte deste acontecimento verdadeiramente especial e global. Outros eventos relacionados acontecerão em várias cidades ao redor do mundo, como Nova York, Chicago, Los Angeles, Washington DC, Estocolmo, Gotemburgo, Londres, Amsterdã, Paris, Lisboa e Berlim.
Como você espera que o público internacional reaja a este álbum, como eles veem a música de Tim Maia?
Bem, eu nunca tenho ideia do que as pessoas vão pensar de qualquer coisa, mas espero que todos gostem tanto quanto nós. Quase ninguém fora do Brasil sabe sobre Tim Maia. Esperamos, de alguma forma, mudar isso.