(Eng) The professionalization of Brazilian hip-hop

10 abril, 2013 | Artistas, Exchange, Inglês, Mercado da Música

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Entrevista: Sylvia Patricia

20 março, 2013 | Artistas, Exchange

Nascida e criada em Salvador,  Sylvia Patricia começou a tocar guitarra quando tinha oito anos. Outros oito anos depois, significativamente mais madura, ela começou a compor suas próprias canções. Ao contrário das tendências de sua cidade natal, Sylvia diz que a sua música não se encaixa nos padrões de outros artistas da mesma região. “Minha música é uma mistura de rock, bossa nova, soul, blues, jazz, samba e até ritmos latinos. Eu também me sinto muito livre para compor com o estilo que melhor se adapta a mim no momento “, diz ela. Já com seis álbuns lançados, ela tem suas músicas incluídas em, pelo menos, 25 coletâneas internacionais.

Nesta entrevista, a cantora e compositora fala sobre sua carreira, sua presença internacional e seus planos futuros.

Como é que essa coisa internacional aconteceu com você? Como você começou a se expor para o público internacional?

Eu comecei minha carreira internacional no Sul de Espanha, onde toquei em um hotel durante o verão. Ao longo da minha carreira, eu já me apresentei no South by Southwest em 2010, em Chicago no Friday International Music Series. Eu também fui a artista internacional no BrasilFest, em Seattle, em 2009, onde dei alguns workshops sobre música brasileira. Além disso, já estive no Canadá, em Buenos Aires, Tailândia, Holanda, e fiz três turnês em Mallorca, toquei em Córdoba e, basicamente, todos os anos eu me apresento em Barcelona.

No ano passado eu tive uma música como parte da trilha sonora de um reality show americano, e no ano anterior, minha música “Outro Inverno” foi uma das cinco finalistas dos Hollywood Music Awards, como parte da categoria Best World Music Song.

Qual é o melhor momento para um artista brasileiro começar a pensar em uma carreira internacional?

Eu acho que é quando ele já tem algum trabalho feito no Brasil. No meu caso eu comecei a pensar sobre isso porque eu tinha uma canção incluída em três coletâneas internacionais e um CD lançado no Japão. Então, fui convidada a tocar na Espanha e fui!

Com quanto tempo de antecedência um artista interessado em um início de carreira internacional deve planejar todo o processo?

Eu acho que o ideal é alguns meses antes, à procura de ofertas por passagens de avião, parceiros, patrocinadores. É sempre bom fazer uma pequena pesquisa sobre o lugar que você está indo muito, para conhecer como o local funciona. Além disso, é importante dispor de tempo para produzir um material promocional. Se você estiver indo para um festival de música ou conferência, o ideal é começar o agendamento de reuniões e já fazer contatos antes de ir.

Quando se trata de produção, qual a parte mais difícil de tocar no exterior?

O preço dos voos e a administração do tempo que sobra entre cada apresentação.

Qual a melhor maneira de investir em divulgação quando se vai tocar fora do seu país?

A coisa mais interessante é procurar tocar em festivais, porque eles já possuem um esquema completo e organizado de divulgação. Se não vai tocar em um, você precisará de um bom produtor local. Isso faz toda a diferença, contando com o fato de que ele já tem todos os contatos locais de jornalistas e outras mídias.

E qual a maior vantagem de tocar fora do Brasil?

Creio que é expandir o Mercado, abrir novos caminhos, poder tentar obter licenças internacionais. É claro que você deve sempre tomar decisões conscientes, estar certo de que o que você está fazendo é sólido, que haverá divulgação.

Quais mercados internacionais absorvem melhor a música brasileira?

Baseada em minha experiência pessoal: Itália, Espanha, França, Alemanha, Japão e Inglaterra. Eu passei três meses na Tailândia e, para minha surpresa, escutei muita música brasileira em cafés. Nos Estados Unidos, se  inserir é um pouco mais difícil porque eles não apreciam muito escutar coisas que não são cantadas em inglês.


 

“A Grande Nena”

26 fevereiro, 2013 | Artistas

Dom La Nena é uma das artistas que prometem dar o que falar em 2013 http://goo.gl/JiExV. Isso porque, quando se trata de talento musical, essa gaúcha não tem nada de “pequena”, como seu apelido, em espanhol, indica. Batizada como Dominique Pinto, a cantora, autora e compositora cresceu entre três países: além da pátria verde e amarela, ela desenvolveu seus talentos na Argentina e também na França. A iniciação musical começou com o piano, mas é o violoncelo, que conheceu anos depois, o responsável por fazê-la ascender como estudante e profissional da música.

Apesar de jovem, La Nena tem bastante experiência e carrega consigo a participação em um projeto folk-rock com Rosemary Standley (do grupo de folk-rock Moriarty) e parcerias com Coming Soon, Camille, Sophie Hunger, além de colaborar no espetáculo “O Condenado à Morte”, uma homenagem ao centenário de Jean Genet feita por Etienne Daho e Jeanne Moreau.

Pupila de Christine Walevska, americana conhecida como “a deusa do violoncelo”, Dom aperfeiçoou suas habilidades com o instrumento em Buenos Aires, antes de voltar para Paris (cidade na qual residiu quando criança) aos dezoito anos e se tornar parceira de palco da cantora e atriz Jane Birkin. Após acompanhá-la em uma turnê internacional por dois anos, Dom começou a trabalhar em seu primeiro álbum e conheceu Piers Faccini, que foi o produtor de suas canções.

Ainda pouco conhecida no Brasil, Dom La Nena, como muitos de seus conterrâneos, começou a chamar a atenção na Europa e na América do Norte. Este ano já há shows confirmados na França e na Itália.

“Ela”, seu álbum de estreia, foi lançado em janeiro pelo selo americano Six Degrees.

Descrito como melancólico, poético, autêntico e maduro, apesar dos seus 23 anos, o álbum foi e continua sendo pauta de resenhas em veículos importantes como The New York Times, The Wall Street Journal, Le Journal de Montreal, além de vários portais sobre música e cultura na internet. “Ela” conta com participações especiais de Camille, Thiago Pethit e Kiko Dinucci.

O primeiro videoclipe da artista, “No meu país” pode ser visto na página oficial de Dom La Nena: http://www.domlanena.com

Além disso, Dom nos concedeu uma pequena entrevista, falando sobre seu trabalho e seu novo álbum:

1. Você faz parte desta nova geração de artistas brasileiros que são reconhecidos no exterior e muitas vezes se popularizam por lá e nem tanto aqui. Tendo vivido em 3 países diferentes enquanto crescia, como você enxerga isso?

Para mim o fato de estar tendo reconhecimento no exterior antes de ter no Brasil, é uma questão de circunstâncias e de sorte. Primeiro, porque moro na França há muito tempo, trabalho aqui como violoncelista há alguns anos, então já tenho um caminho percorrido no meio musical daqui. Depois, a gravadora com a qual estou lançando o disco é Americana (Six Degrees Records) e costuma fazer lançamentos internacionais. Por isso o disco foi lançado primeiro nos EUA e no Canadá, onde tem sido surpreendente, para mim, ver a acolhida maravilhosa que ele está recebendo da imprensa e do público. Como moro aqui na Europa, foi o segundo lugar onde o decidimos lançá-lo e também estamos recebendo retornos excelentes. Mas vou chegar ao Brasil ! Só está um pouco mais demorado porque nem eu nem a gravadora estamos ai, e é difícil coordenar tudo à distância.

2. Justamente por ter crescido em países diferentes, imagina-se que você utiliza diversas referências culturais costumes e música na hora de compor. O que mais te influencia musicalmente em cada país em que você viveu ou por qual já passou, incluindo o Brasil?

São várias as influências e é difícil falar sobre elas porque na maioria dos casos elas acontecem para mim de forma inconsciente. Só no Brasil são numerosas, mas talvez a que mais se ouça na minha música seja a simplicidade e o dramatismo que se encontram frequentemente nas letras (de Dorival, de Vinicius, de Jorge Ben, etc.). Aquelas histórias tão doces e tão simples, e aquelas que podem ser de morrer de amor… Na argentina também gosto muito do dramatismo dos tangos, e da simplicidade e da ingenuidade de algumas músicas do folklore como por exemplo de Athaualpa Yupanqui. Também ouvi muito Violeta Parra e Sílvio Rodriguez. Na França o que mais se ouve na minha música como influência da “chanson française” é o que em francês se chama de ‘ritournelle’, quando é um motivo musical repetitivo.

3. As resenhas sobre seu trabalho chamam a atenção para a sonoridade madura e melancólica que este carrega. Se o seu début, “Ela”, pudesse ser descrito em uma palavra, qual você usaria? Você utilizou muitas experiências pessoais para compô-lo?

Acho que o adjetivo que melhor definiria o disco é “sincero”. É um disco que foi feito realmente com muita naturalidade, sem pretensão de ser isso ou aquilo. Quando eu comecei a compor e a escrever as músicas, não foi com a intenção de um dia fazer um disco, era realmente pelo prazer e pela diversão de compor, de experimentar isso. Todo o processo de elaboração dele, o fato de ter sido feito sem ainda ter uma gravadora atrás e sem mesmo ter a certeza de que um dia se tornaria efetivamente um objeto, possibilitou que ele fosse feito com calma e com muita sinceridade. É claro que minhas experiências pessoais, embora de forma inconsciente (como para minhas influências) também se reflete na minha música, como por exemplo, o fato de viver longe do Brasil há tantos anos, de ter crescido em vários países, saído de casa muito cedo, etc.

4. Você pretende fazer uso de alguma estratégia mais agressiva para que seu trabalho atinja mais o público brasileiro ou acha que isso tem de acontecer com naturalidade? Na ocorrência de uma tour, você pretende passar por bastante cidades no Brasil?

Não temos uma estratégia agressiva, por enquanto as coisas estão acontecendo por elas mesmas, com naturalidade… A Six Degrees está vendo a melhor maneira de lançar o disco oficialmente aí. Agora em abril vou passar alguns dias em São Paulo para fazer um pouco de promoção (entre outras coisas, participar da próxima temporada do programa ´´Cantoras do Brasil´´ – do canal Brasil) e justamente, começar a organizar melhor o lançamento no Brasil. Eu sonho em poder fazer uma turnê Brasileira e conhecer melhor cada canto do país! Espero que possamos organizar isto em breve !


 

(Eng) MUSIC: What not to miss in 2013!

01 fevereiro, 2013 | Artistas

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Melhores álbuns de 2012, segundo Sounds & Colours Mag

17 janeiro, 2013 | Artistas

O ano de 2012 foi memorável para a música brasileira. Muitos novos artistas se firmando em território nacional, mas não se esquecendo de ampliar horizontes em terras estrangeiras. Você viu alguns deles aqui.

Os discos de novos artistas e grupos brasileiros também têm feito sucesso no mercado internacional. A revista Sounds & Colours, especialista na cultura e música sul-americanas, divulgou recentemente um ranking com os melhores lançamentos do último ano.

Grande parte dos brasileiros selecionados foram escolhidos por Russ Slater, fundador e editor da Sounds & Colours. Jornalista musical e grande especialista dos sons latinos, Slater contribui também com a Jungle Drums e na Time Out São Paulo, além de já ter passado por veículos como The Wire, PopMatters, Drowned In Sound e Latineos. Você pode ler as matérias e resenhas dele aqui.

Os discos brasileiros que compõem a lista são:

19° lugar – Metá Metá – MetaL MetaL

O trio composto por Kiko Dinucci, Thiago França e Juçara Marçal lançou seu segundo álbum em novembro do ano passado. O disco é uma mistura de música africana, latina, noise, free jazz e rock. “Este é o som de alguns dos melhores músicos de São Paulo direcionando seus talentos criativos em uma ode apaixonada à afro-brasilidade”, escreve Slater.

17° lugar – Cabruera – Nordeste Oculto

Formada em 1998 por estudantes da Universidade Federal da Paraíba, a banda Cabruera lançou Nordeste Oculto, seu 5º álbum, em 2012. O novo projeto reúne, além da música do grupo paraibano, o trabalho fotográfico de Augusto Pessoa e os textos do citarista Alberto Marsicano. Para Slater, o novo disco do Cabruera é uma Nação Zumbi embarcando em uma viagem mística.

15º Psilosamples – Mental Surf

Psilosamples é o projeto musical do mineiro Zé Rolê, que mescla sonoridades brasileiras com a batida da música eletrônica. Lançado no Brasil e no Japão, MentalSurf, seu 3º álbum, já percorre as principais pistas de dança de festas e festivais alternativos.

12º Lucas Santtana – O Deus Que Devasta Mas Também Cura

O 5º álbum do cantor, compositor e produtor Lucas Santtana é mais um presente musical de 2012. Aclamado pela crítica, o disco é o único brasileiro a figurar entre os 100 melhores do ano na revista francesa Los Inrockuptibles.

11º Maga Bo – Quilombo Do Futuro

Lançando Quilombo do Futuro, Maga Bo explora profundamente os ritmos afro-brasileiros com pegadas contemporâneas. Estão presentes coco, maculelê, samba, jongo, ragga, dub, hip hop, dubstep entre outros. Uma miscelânea sonora que deu certo. Para Robin Perkins, “Quilombo do Futuro investiga a rica herança musical afro-brasileira e a transporta para o século 21”.

BNegão & Seletores de Frequência – Sintoniza Lá

Após nove anos sem lançar um disco, BNegão & Seletores de Frequência chegam com Sintoniza lá fazendo barulho na música nacional. Com sonoridades diversas, como reggae, rock e funk, o disco de 11 faixas foi premiado pelo VMB 2012, da MTV, como o melhor de 2012.

5º Tulipa Ruiz – Tudo Tanto

Após o elogiadíssimo Efêmera, Tulipa Ruiz deixa 2012 com Tudo Tanto, 2º álbum da cantora, que assina, solo ou em parcerias, as 11 faixas do disco. Ocupando a 5ª posição da lista, Tulipa é elogiada por Charlie Higgins. “Ouvir o segundo álbum de Tulipa Ruiz, Tudo Tanto, é como ser uma criança em uma loja de doces. Constituído com base em seu aclamado disco de estreia, Efêmera, a compositora paulista faz cócegas em cada volta dos ouvidos com sua mistura orgânica de indie pop brasileiro”.

Para ver a lista completa, clique aqui.


 

Artistas brasileiros no exterior

26 dezembro, 2012 | Artistas, Exchange

O ano de 2012 se encerra deixando bons resultados para os artistas brasileiros que se apresentaram fora do país.

Entre os artistas que cumpriram agenda internacional, está o rapper Criolo, que excursionou pela Europa pela segunda vez em novembro, somando 11 apresentações. Esteve em Berlim, Londres, Dijon, Nice, Montbeliard, Paris, Zurique, Leuven, Amsterdã e Utrecht, além de ter sido destaque na revista britânica Sounds and Colours.

Em Nova Iorque, de 8 de novembro a 11 de dezembro, aconteceu o Voices from Latin America Festival, que reuniu grandes nomes da música latino-americana. Entre os brasileiros participantes estavam Gilberto Gil, Orquestra Imperial e Arnaldo Antunes, que falou com exclusividade ao BRMusicExchange sobre sua participação no evento.

Voltando mais um pouco, entre os dias 9 e 18 de março, aconteceu o consagrado South by Southwest Festival (SXSW), no Texas, EUA. O evento contou com a participação de 14 representantes da música brasileira: Renato Godá, Tiê, Some Community, Agridoce, Copacabana Club, Tiago Iorc, Rosie and Me, Rogê, Constantina, Fim de Feira, Tita Lima, Zuzuka Poderosa, Lucas Silveira e Gabriel Santiago Quintet.

Já a Womex, uma das principais feiras de música do mundo, contou com a participação brasileira, principalmente do estado de Minas Gerais, através do coletivo Fórum da Música de Minas. Foram três apresentações: Thiago Delegado, Makely Ka e Graveola e o Lixo Polifónico. Ricardo Herz Trio, o único grupo brasileiro selecionado pela feira, também se apresentou.

Tulipa Ruiz, que figura entre os mais promissores artistas brasileiros, levou sua música até o Japão, em outubro, num total de oito shows. Em julho a cantora lançou seu novo disco, intitulado “Tudo Tanto”.

E em 2013 a BM&A também estará nas principais feiras e festivais, promovendo e divulgando a música brasileira. A APAP, em Nova Iorque, é a primeira delas. Mais informações em breve.