O empresário Juan Corral começou a trabalhar cedo com o mercado musical. Aos 17 anos viu um anúncio no jornal que chamou sua atenção. Uma vaga de emprego na Hellion Records cujo requisito principal era gostar de música. Não teve dúvidas, enviou seu currículo e conquistou a vaga. Depois disso passou pela Century Media Records, multinacional na qual atuou com vendas internacionais, e montou sua própria produtora, a Dusk Till Dawn Agency – que licenciou álbuns para o Japão, Rússia e México, e atuou como management de bandas como Aquaria, Tribuzy e a lendária paulista Korzus. Foi convidado para fazer parte da equipe da Base 2 Produções, onde foi agente de vendas e produtor de estrada de bandas como Sepultura, Forgotten Boys, Massacration e Ratos de Porão.
No Tom Brasil, Corral coordenou diversos eventos corporativos e shows de grandes artistas, como Chico Buarque, Roberto Carlos, Marisa Monte, Deep Purple, Daft Punk, Yeah Yeah Yeahs e Ana Carolina. Com essa experiência, Corral passou a conhecer não só o mercado internacional com o qual estava acostumado, como também o nacional, o que o levou, em 2008, a ser convidado para ser o responsável pela produção geral e pelo desenvolvimento do festival Maquinaria Rock Fest – que acabou se transformando no SWU.
Agora, contribuindo com a Agência Produtora, atua no agenciamento, gerenciamento e A&R de artistas e bandas, como Funk Como Le Gusta, João Donato, Chico Teixeira e Tiê. Com esta última, aliás, fez uma turnê pelos Estados Unidos e América do Sul, como nos conta na entrevista abaixo. Corral fala ainda sobre como planejar, qual a hora certa para cair na estrada, como fazer a divulgação de uma turnê no exterior e muito mais.
Leia:
Por quais países a Tiê passou nessa última turnê?
EUA, sendo um show no Texas pelo festival SXSW (South by Southwest), um em Nova York no clube Nublu – que tem um perfil muito legal e um histórico forte com artistas brasileiros, onde, toda quarta, se apresenta o forró in the dark, que é composta por brasileiros radicados em Nova York – e logo depois, na América do Sul, fizemos Chile, Argentina e Uruguai.
Todo artista deve fazer uma turnê fora do país?
Sem dúvidas. Além dessa experiência valorizar o artista dentro do próprio país – afinal, o brasileiro é um povo que olha muito mais pra fora do que pra dentro – o próprio artista vê outras realidades, outros mercados e começa a olhar o próprio trabalho de forma diferente. Há também o fator da troca cultural com os artistas locais, o que gera uma “amizade musical”, por assim se dizer, no qual o público é o principal beneficiado.
E qual é o momento certo para o artista brasileiro fazer uma turnê internacional?
Não tem uma definição exata do momento certo, mas eu diria que o ideal é quando o artista tem uma gravadora ou selo lançando seu material. A apresentação serviria para ajudar na divulgação e vendas nos shows, aproveitando para fazer toda a promoção nas mídias com o artista pessoalmente.
Em sua opinião, como deve ser o planejamento de uma turnê? Há perspectivas sobre quanto tempo de antecedência se deve planejar, qual é o orçamento básico e como calcular isso?
No mínimo seis meses antes das datas é o ideal, mas também às vezes tudo acaba acontecendo por oportunidades de shows de última hora. São nestes momentos que as contas aumentam vertiginosamente. O orçamento depende muito de que tipo de show ou proposta ou orçamento o artista tem para se apresentar. Normalmente temos garantidos os custos e necessidades básicas para realizar as apresentações, mas em casos de festivais, como o SXSW, em que o artista tem que se bancar 100%, o básico começaria logicamente com passaportes – como verificar se todos os integrantes possuem passaporte válido e dentro das normas necessárias. Na sequência, os vistos, o que é essencial que seja feito com muito tempo de antecedência para o caso de eventuais contratempos. Depois passagens aéreas, hospedagem, backline local, alimentação e traslados.
Com a internet, as opções de financiamento de uma turnê se tornou mais real do que a alguns anos. Um exemplo disso é o crowdfunding. O que você acha dessas opções?
Acredito que os editais sejam os melhores para este tipo de trabalho com artistas nacionais, pois pelo que tenho acompanhado, os modelos de crowdfunding estão muito mais ligados a artistas internacionais. Até o momento não consegui visualizar algum que seja 100% para artistas nacionais e tenha funcionado devidamente.
Como, normalmente, o artista não é tão conhecido lá fora como é aqui, o investimento em divulgação tem que ser muito maior? Que tipo de coisa é preciso fazer (que não se faz aqui)?
É importante, principalmente, a divulgação nas mídias sociais, como facebook, twitter entre outros, pois pensar em investir dinheiro em divulgação nestes lugares é difícil – até porque o retorno é mais de vendas de merchandising do que outra coisa, dependendo da proposta. O ideal é investir no intercâmbio cultural entre artistas destes lugares antes de viajar. Sendo assim, o artista nacional acaba sendo indicado por outro artista internacional que já tem um público formatado, o que acaba gerando uma repercussão dentro do meio.
Em que mercados há mais espaço para os artistas brasileiros hoje em dia? Há lugares onde a música nacional penetra mais facilmente?
Os mercados europeu, americano e asiático estão em recessão. Qualquer tipo de ação para estes lugares acabam não tendo o mesmo resultado que havia antes da crise. Um dado relevante é que o momento agora é da América do Sul, sendo os maiores mercados do momento Brasil, Chile, Argentina e Colômbia, nesta ordem. O mercado esta voltando a atenção completamente para o Brasil, e isso vai ficar cada vez mais acentuado com a chegada das Olimpíadas e Copa do Mundo.
Para o artista independente, fazer uma turnê internacional é um passo muito arriscado?
É um investimento futuro. Não é possível lucrar nas primeiras empreitadas pra fora se não for o merchandising, se der empate já é algo muito bom. E isto acontece também com os artistas internacionais novos, então nunca consegui ver isto como um investimento negativo, a experiência sempre vale o risco.
E sobre a Tiê, já estão colhendo resultados da última turnê? Qual foi o balanço geral?
SXSW foi, mais do que outra coisa, uma vitrine. No entanto, na América do Sul, tivemos ótima resposta de público no Chile e na Argentina. Já no Uruguai a Tiê tem um nome forte por ter feito 4 shows por lá e cada vez melhor, fizemos 2 shows sold out nesta última tour.




























