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Entrevista: Johannes Theurer

03 julho, 2012 | Exchange

Johannes Theurer é um experiente editor e produtor de rádio em Berlin, presidente da “World Music Workshop of the European Broadcasting Union” (a maior associação de emissoras do serviço público), editor da “World Music Charts Europe” (que reúne 46 locutores de rádio em 24 países) e curador do catálogo de música online dismarc.org.

Contato: Johannes.Theurer@rbb-online.de

Leia abaixo uma entrevista com ele:

O quão interessante é a música brasileira para os jornalistas de música e estações de rádio alemãs?

Temos que dividir os meios de comunicação em duas áreas principais, o interesse especial e o “mainstream”. Produtores de programas de interesse especial podem querer acompanhar as tendências no Brasil. Em particular, artistas do jazz ou da world music se sentem obrigados a tocar música brasileira de tempos em tempos. Gravadoras independentes têm uma boa oportunidade de serem ouvidas e de serem descobertas no ar. DJ Dolores, Nação Zumbi, Lenine e outros encontram atenção nesses nichos. Mas será que eles também encontrarão um lugar para transmissão? Eles têm que dividir um espaço muito limitado com muitas outras nações da África, América e Ásia, mais um monte de gravações do circuito alternativo da Europa. A competição é dura.

Nos principais programas a imagem do Brasil ainda se caracteriza por Bossa Nova. Desde que a Lambada aconteceu, Getz / Gilberto é, talvez, a música brasileira mais tocada nas rádios mainstream. Ao mesmo tempo megastars como Ivete Sangalo são quase desconhecidos na Alemanha. Bebel Gilberto ou CEU têm suas oportunidades como os modernos pós-Bossa.

O que os músicos brasileiros podem fazer para atrair o interesse da mídia alemã?

Prepare-se para jornalistas que não falam português. Suas informações precisam estar em inglês, alemão seria ainda melhor. Se você tiver uma mensagem, formate-a. Não gaste muito tempo com o pessoal de mídia para traduzir sua história. Deixe-a curta e simples! Se você tiver um link com Jobim, Gil ou outros clássicos, diga. Compare a sua música a outras tendências globais, não apenas a fenômenos regionais brasileiros. Não há necessidade de enviar presentes, jabá é praticamente desconhecido na Alemanha. Contate pessoas que falam inglês ou alemão, elas reagirão instantaneamente. Sua música pode ser ouvida com mais curiosidade se ela vier como parte de uma história geral, por exemplo, se tratar de futebol, carnaval ou  Amazonas. Se uma banda está em turnê, ela pode se tornar interessante para a editoria de cultura como informação atual (mas apenas por um período muito limitado).

Seu ponto de acesso para a Alemanha pode ser o seu produtor, que organiza uma turnê. Ele vai reportar à mídia local de acordo com suas experiências, ou o seu selo pode enviar seus CDs para jornalistas selecionados, como os apresentadores de rádio no júri do World Music Charts Europe, que há mais de 21 anos de existência já se tornou uma influente rede para caçar talentos do mundo todo. Se você ler uma boa história sobre o Brasil em um jornal, dê um google no autor e entre em contato direto com ele em vez de enviar os seus CDs para o escritório editorial. Além disso, você pode optar por contratar um promotor de mídia, mas certifique-se de que você concorda com uma estratégia que é entendida por ambos os lados da mesma maneira antes de começar. Contratar um promotor não sai barato, mas pode ser uma boa escolha se você realmente deseja alcançar algum status.

Qual a importância dos meios digitais para promover artistas na Alemanha / Europa? As pessoas devem também usar os elementos tradicionais, como CD ou publicidade impressa?

Se você quiser construir o nome de um artista, você tem que considerar que a promoção e divulgação online valem muito. Mas quanto peso isso realmente terá? Você nunca sabe. Enquanto blogueiros vão gostar de citar uma declaração de mídia impressa ou rádio do Reino Unido ou dos Estados Unidos, eles dificilmente serão citados de volta nas rádios ou jornais. A propósito: esqueça a mídia em português se você quiser atingir a Europa. Eu não acho que faça muito sentido investir em publicidade online. Revistas impressas ou anúncios tomam muito do seu orçamento também. Pode ser muito difícil alcançar seu ROI (retorno sobre investimento). Você deve ser facilmente rastreável por algum vídeo do Youtube (mesmo não estando na melhor qualidade, ele pode mostrar sua personalidade), além disso, algumas faixas no Myspace são úteis para que um jornalista obtenha uma visão geral acerca do seu projeto. Quando isso se torna uma transmissão real, seu contato na rádio escolherá músicas da pilha de CD’s dele/dela. Isto significa que o produto físico deve estar nas mãos destas pessoas.

Qual a melhor maneira para que artistas e produtores brasileiros se introduzam na Alemanha?

Não há uma estratégia real de como se fazer isso. Tentativas e erros são normais. Geralmente se deve começar em grandes cidades, como Berlin e Hamburgo, mas lá você também pode encontrar uma forte competição. O que eu disse sobre a língua se aplica novamente: se você não consegue se comunicar em inglês, esqueça! Se você fala alemão, ganhou mais pontos. Shows e apresentações são cruciais para tonar o artista conhecido, então o trabalho dos produtores tem de ser feito. Os festivais podem ser vistos de cima a baixo na lista do “European Forum of Worldwide Music Festivals”. Conheça o perfil de cada um deles. Você pode se oferecer como uma contribuição brasileira para o programa do festival que vem com apoio governamental da turnê? Muito bem, isso deve inspirar a conversa com os produtores do festival. Se você quiser ver pessoalmente sobre o que é o negócio da World Music, venha e visite a Womex, em outubro.

Quando você pensa em música brasileira, o que vem em sua mente? Você tem alguns artistas favoritos?

É natural que se pense em Gilberto Gil imediatamente. Jobim, Lenine, Caetano Veloso, Nação Zumbi, Luisa Maita, Tom Zé. E eu ainda não me esqueci do Olodum.Meus favoritos? Mawaca por exemplo. Lucas Santtana, Hamilton de Holanda, Gilberto Gil, SPOK Frevo Orchestra e muitos outros.

Na verdade eu quase não tenho nenhum favorito fixo do Brasil. Eu escuto mais novos lançamentos brasileiros com curiosidade.







 

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