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Entrevista: Emmanuel Zunz, CEO da ONErpm

13 junho, 2012 | Mercado da Música

Emmanuel Zunz é CEO da ONErpm, uma plataforma de distribuição, venda e compartilhamento de música pela internet. Ele está em São Paulo para fixar o escritório da empresa no Brasil e também na América Latina. Nesta entrevista, Zunz fala sobre o mercado musical nacional e internacional, dá dicas aos novos artistas sobre como distribuir sua música e o futuro desse nicho com as novas plataformas que estão surgindo.

O que exatamente é a ONEprm?

ONErpm é uma plataforma digital de distribuição de música e de comércio social. Nós entregamos a música para as lojas e serviços de streaming do mundo todo, como iTunes, Spotify, Sonora, Rdio etc. e permitimos que os artistas possam vender direto para os seus fãs, ou mesmo doá-las em troca de um endereço de e-mail, no Facebook.

Você está em Brasil, certo? O que está fazendo aqui?

Sim, eu estou no Brasil. Vim para abrir o escritório da ONErpm, em São Paulo, e contratar uma equipe para conduzir os negócios aqui no Brasil e na América Latina.

Com base em sua experiência profissional, pode nos falar um pouco sobre quando os artistas devem dar a sua música ou quando devem vendê-la?

Sim, vou abordar alguns dos aspectos aqui, embora este seja um assunto importante que requer um ensaio pensativo e sugestões, talvez mais do que eu possa dizer em poucas frases. Vou começar por dizer que todos os artistas, não importa o estágio ou nível de sua carreira, devem sempre dar alguma de suas músicas de graça para seus fãs – mas não todas. Esta é uma realidade. Quando isso acontecer, faça de forma organizada para que você saiba quem está baixando seu trabalho. No final do dia você tem que construir uma carreira e a melhor maneira de fazer isso é crescer com uma base de fãs dedicada. Saber o máximo que puder sobre eles é muito importante.

O que eu não gosto no Brasil hoje, e que eu acho que precisa ser mudado, é que quando os artistas / bandas dão sua música, eles não o fazem de forma organizada. Isso faz com que eles se percam no processo, reduzindo o valor da sua arte. O que eu vejo a maioria dos artistas fazendo hoje é adotar uma estratégia de distribuição errada. Os artistas sobem o disco em sites como o rapidshare e mandam o link para seus amigos / fãs. Em minha opinião esta é a coisa errada a fazer, porque ao menos você deveria receber um endereço de e-mail em troca desse download, o que lhe permitiria construir uma relação mais profunda com esse fã em longo prazo. A ONErpm oferece as ferramentas para fazer isso, mas nós não somos o único serviço, há também outras opções. Você pode permitir que os fãs doem dinheiro ou digam seu preço para baixar suas músicas. Talvez um fã queira pagar R$ 5 por um download.

Aqui estão as minhas sugestões e algumas dicas rápidas:

1. Se você é uma nova banda ou artista, é importante oferecer sua música gratuitamente, mas de uma forma organizada que permita a você construir uma boa base de fãs. Você deve também adotar uma estratégia de boa distribuição global e ter a certeza que seu trabalho estará disponível nos maiores serviços de música do mundo, que são ótimos para descoberta de música e obtenção de novos fãs, além de permitir que você ganhe algum dinheiro.

2. No caso de uma banda ou artista já estabelecido no mercado, também se deve oferecer alguma música aos fãs de forma gratuita, mas com muito menos frequência.  Faça isso para ocasiões especiais, como um pré-lançamento de um single antes do álbum ser lançado ou como uma versão especial da música para seus fãs mais dedicados. Dar música gratuitamente pode ser um marketing excelente ou péssimo, tudo depende de como você opta por entregá-la, e quando. As diferenças de abordagem tem um grande papel na evolução da sua carreira.

Como você avalia a situação da música brasileira no cenário internacional?

Acho que as pessoas do mundo todo amam a música brasileira, mas ainda não a conhecem muito bem. Elas ainda acham que a música brasileira é Bossa Nova ou Samba e não estão muito familiarizadas com a profundidade de sons que o Brasil tem a oferecer. Acredito que isso vai mudar em breve, pois o Brasil continua a crescer economicamente, além de ter uma maior relevância internacional.

Em sua opinião, o que os artistas brasileiros podem fazer para serem reconhecidos no exterior?

Uma estratégia interessante é colaborar com outros artistas nos EUA, Europa, etc. A ONErpm trabalha com um monte de artistas internacionais. Um deles, Blitz the Ambassador, originário de Gana, mas que vive no Brooklyn, colaborou com grandes músicos, incluindo BNegão, do Brasil. Isto o ajudou a firmar sua carreira em alguns mercados-chave. E, claro, ele usou a ONErpm para distribuir sua arte para o mundo, então sua música estava disponível em todos os lugares, o que foi a melhor decisão que ele tomou (risos)!

Pela primeira vez no Reino Unido, downloads de música agora vendem mais do que CDs. Você acha que os downloads podem ser uma fonte de renda significativa para artistas brasileiros independentes?

Sim, absolutamente, e na verdade, já estamos vendo isso. Desde que o iTunes foi lançado no Brasil vimos nossas vendas de música digital vender mais que o triplo. Também estamos percebendo rendas significativas a partir de serviços de streaming, como o Sonora. Acredito que quando o iTunes começar a aceitar a moeda brasileira e cartões de crédito brasileiros, vamos ver uma explosão ainda maior do consumo de música digital.

Você poderia recomendar ferramentas ou serviços online para ajudar a promover a música brasileira e ajudar a estimular as vendas?

Além de ONErpm, eu também gosto do onesheet.com porque tem um bom layout e puxa todas as informações de um número de fontes, o que lhe permite exibir sua música de uma maneira limpa e elegante, além de linká-la para o iTunes. Eu gosto também do official.fm porque eles têm ótimos dispositivos. O Headliner.fm oferece uma plataforma interessante, onde outros artistas ajudam a promovê-lo. O Gumroad é uma plataforma de “direct-to fan” nova que nós também gostamos. Estas plataformas são universais e atendem às necessidades de todos os artistas, não só brasileiros.

Você prevê o YouTube se tornando uma fonte de importação de lucros?

Mais música é transmitida no Youtube do que em qualquer outro lugar do mundo. É também onde a maioria das pessoas descobrem música nova. Eu acho que o potencial é significativo, mas ele acabará por depender de como o conteúdo é rentabilizado e como as pessoas serão pagas.

Além de fazer distribuição digital, a ONErpm vai oferecer música também para cinema, televisão, videogames etc?

Sim, já temos algumas parcerias com Modiba e Música YB, em Nova York e São Paulo respectivamente, mas esta é uma área em que gostaria de crescer internamente também.







 

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