Höröyá se destaca em BMS e fecha parceria com Premier League

Banda brasileira Höröyá grava música tema da Premier League, campeonato de futebol inglês, graças a contato feito no Brasil Music Summit (BMS). O evento foi realizado pelo Brasil Music Exchange — projeto de auxílio à exportação de música desenvolvido desde 2002 por meio de uma parceria entre a Brasil Música & Artes (BM&A) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) — entre os dias 6 e 9 de fevereiro deste ano.

A Höröyá, que teve álbuns lançados pela gravadora YB Music – Höröyá (2016), Pan BrasAfreeke (2017), Pan BrasAfreeke Vol. 2 (2019) e o single Todo lugar é sertão feat. Chico César (2019), foi uma das bandas convidadas para apresentar showcase durante o evento e sua performance chamou a atenção de Pete Kelly, o Head of Music do canal BT Sport, do Reino Unido. Em entrevista, Pete contou que durante o evento conheceu diversos artistas com potencial para trabalharem juntos, mas foi a apresentação do Höröyá que o impactou.

“Lembro-me de deixar o show deles pensando que não tinha certeza se a oportunidade de trabalhar com eles surgiria, mas se isso acontecesse, eu definitivamente procuraria envolvê-los. Eu amei o quanto de diversão e paixão havia no desempenho deles. Você poderia dizer isso sobre quase todos os artistas que vi na BMS”, conta.

Foi então que surgiu a oportunidade de gravar a música tema da Premier League, a principal competição de futebol da Inglaterra, reconhecida mundialmente. “Eu comissionei o Höröyá para fazer uma cover de Hand Clapping Song, do The Meters. Eles fizeram um ótimo trabalho, produzindo uma nova versão da música com muita variação. Depois dei as hastes da gravação de Höröyá para uma dupla de hip hop do Reino Unido chamada God Colony, que remixou, e depois adicionamos o vocal de Raf Rundell, do grupo The 2 Bears”, explica Pete.

O projeto de gravação da banda para a Premier League é chamado de “Music Sync”. “A técnica é basicamente a modalidade de uso de uma música associada a uma outra peça, que pode ser um audiovisual (filme, série ou filme publicitário) ou um jogo, por exemplo. Em resumo, é escolher uma música que “combine” com uma outra obra e sincroniza-las”, explica Mario Di Poi, produtor executivo da INPUT e diretor executivo do BMS.

Segundo Mario e Pete, não há a “música ideal” para sincronização. Eles explicam que assim como há inúmeros gêneros de música, há inúmeras possibilidades de produções musicais. “Definitivamente, existem estilos de música que são usados mais do que outros, mas trata-se de fazer sua pesquisa. Meu objetivo é sempre ser original. Busco não repetir ideias previamente bem-sucedidas apenas porque eles fazem um trabalho, mas criar novas associações entre boa música e BT Sport”, explica Pete.

Entretanto, Mario ressalta a importância de estruturar bem a equipe e se preparar para oportunidade de sincronização: “é importante ter uma boa apresentação do trabalho, rede social e se possível uma estrutura administrativa e comercial sendo representada por Editora, Gravadora, Manager, figuras que tomam a frente e geram confiança em um momento de negociar uma sincronização. Sempre surgem dúvidas com relação aos direitos e titularidades das músicas e ter empresas a frente dessa relação ajuda bastante a dar consistência em qualquer negociação”.

Mario conta que a maior dificuldade para uma banda entrar no mercado de sincronização é conseguir que music supervisors ouçam e conheçam o trabalho do grupo e, por isso, acredita que o BMS seja uma oportunidade para esse encontro.

“O BMS é um lugar chave para promover esse encontro mágico entra a música e o sync. Nele estão presentes os grandes influenciadores sobre a música de um projeto (Music Supervisors) de um lado e os artistas de outro. O caminho é simples e direto. Você precisa que a sua música chegue no ouvido certo. Que o comprador da música confie em você pois ele está apostando a carreira dele que está tudo certo com sua música. E precisa ter condição de responder rápido quando a oportunidade bater na porta”, conclui Mario.

Pete também concorda que o evento organizado pela BM&A seja essencial para a realização de projetos como esse: “é improvável que eu encontrasse o Höröyá sem o BMS, por isso é uma boa oportunidade para fazer novos contatos. Eu inclusive coloquei alguns outros supervisores musicais em Londres em contato com compositores brasileiros que conheci na BMS. Eventos assim são ótimos!”.

Veja aqui uma entrevista exclusiva com o músico André Ricardo, do Höröyá: