Leandro Ribeiro da Silva entrevista

BMS entrevista: “a música brasileira tem um potencial de crescimento de pelo menos USD 500 milhões por ano”

A próxima edição do Brasil Music Summit (BMS) acontece de 6 a 9 de fevereiro de 2019, na Unibes Cultural, em São Paulo. O evento, que tem o objetivo de repetir o sucesso da primeira edição realizada em dezembro de 2017, agrega debates e ações de negócios sobre sincronização, music branding e live music com foco em gerar oportunidades para os brasileiros no exterior. Diversos profissionais de países como Estados Unidos e França estarão na capital paulista para fechar negócios e trocar ideias com o público local. Haverá ainda um festival aberto ao público final.

O evento – que conta com o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) por meio do Brasil Music Exchange (BME) – compõe as iniciativas da Brasil, Música & Artes (BM&A) de fomentar a música como parte da economia criativa brasileira, uma indústria ainda com muito potencial de crescimento para gerar mais renda e empregos. O gerente de projetos da BM&A, Leandro Ribeiro da Silva, explica que a ideia de fazer um evento no Brasil totalmente voltado para exportação surgiu da observação de dados do mercado e da verificação de uma lacuna na agenda nacional.

“Ao compararmos o Brasil com outras nações, percebemos que temos muita capacidade de crescimento em relação ao tamanho do país e à sua grandeza econômica. A Holanda, por exemplo, é 17ª economia mundial e gera USD 1 bilhão com o mercado da música, enquanto o Brasil, que é a 9ª economia, fatura apenas USD 480 milhões”, comenta. E completa citando outros exemplos de países com a mesma força econômica que a nossa: “a Itália é a 8ª economia e fatura USD 1,1 bilhão por ano, o Canadá é 10ª e gera USD 1,4 bilhão por ano. Com isso, vemos que temos um potencial de crescimento de pelo menos USD 500 milhões por ano”.

Na entrevista abaixo, realizada por Daniela Reis para o site do BMS, Leandro dá mais detalhes sobre a programação e dicas para quem quiser participar do evento:

Daniela Reis: Por que vocês decidiram dar foco internacional ao evento?

Leandro Ribeiro da Silva: Percebemos que há muitos eventos de música no Brasil, mas nenhum realmente com o foco 100% em gerar negócios fora. E isso está no DNA da BM&A há muito tempo, desde que iniciamos o projeto de exportação Brasil Music Exchange, em conjunto com a Apex-Brasil, em 2003. Além disso, sabemos que muitos talentos e empreendedores da música não conseguem ainda participar de feiras internacionais. Então, nossa ideia é dar abertura e fazer algo aqui no nosso país, para também para ajudar aqueles que não têm oportunidade de ir para fora do Brasil.

Daniela: O que dá a característica internacional ao evento?

Leandro: Para a edição de 2019, planejamos trazer uma ampla delegação de convidados internacionais. Na primeira edição, em 2017, já tivemos um grande grupo de profissionais, como Yassine Saidi, head sênior global de lifestyle na Puma; Matthieu Darti, co-fundador da Antemprima Prime; Marthe-Helene Heraud, supervisora musical; Geoff Siegel, fundador e CEO da Fundamental Music; Joel C. High, CEO da Creative Control Entertainment e presidente da Guild of Music Supervisors dos EUA; Samantha Schilling, diretora de criatividade da Reel Muzik Werks; Carolina Arenas, diretora da Audionetwork; Geoffroy de Rougé, diretor do desenvolvimento internacional do Midem, e Frédéric Lagacé, diretor do Rimouski International Jazz Festival. Agora, intensificaremos ainda mais os perfis, incluindo programadores de festivais, bookers e selos para a parte de live music, e supervisores musicais para a parte de sincronização e music branding. Também fizemos parcerias com marcas interessadas nesse mercado.

Daniela: Quais são as maiores dificuldades que você acredita existir nesses mercados?

Leandro: Especialmente as partes de sync e music branding, ainda são muito novas no Brasil. Por isso, mesmo as pessoas que trabalham com publicidade, não têm conhecimento profundo de suas características. E é isso que queremos mudar. Pretendemos aumentar as oportunidades junto com as empresas, e também mostrar para os profissionais de música que há outras possibilidades dentro do que é feito hoje.

No caso da nossa abordagem com live music no mercado internacional, normalmente os programadores adoram música brasileira e estão dispostos a apostar em novos talentos ou talentos já consolidados aqui no Brasil, mas que ainda não possuem entrada no exterior. Porém, uma barreira muito grande são os custos de logística, especialmente as passagens aéreas. Desta maneira, já estamos negociando com todos os programadores de festivais uma novidade: para cada banda escolhida, entraremos com algum recurso para auxiliar no processo de compra de passagens aéreas. Com esta atitude combinada à qualidade de nossos artistas, acreditamos que vamos eliminar essa barreira e os festivais devem contratar mesmo.

Daniela: Como está a programação da próxima edição, o que você gostaria de destacar?

Leandro: Na edição passada, recebemos muitos pedidos para que fizéssemos um dia dedicado à área de live music. Então, chamamos um associado experiente, que também participa ativamente de várias de nossas atividades de exportação, o André Bourgeois, da Urban Jungle, para nos auxiliar com seu conhecimento e ajudar a trazer profissionais do exterior para falar um pouco sobre esse assunto e fechar negócios com o Brasil. Alguns nomes já confirmados são: Daniel Seligman, programador do Festival POP Montréal, Etienne Ziller, fundador da 3 Pom Prod – Booking Agency, Jérôme Gaboriau, programador do Les Escales Festival, Louis Bellavance, programador do Festival d’été de Québec, Mathieu Gervais, Programador do Festival Rencontres Trans Musicales e Maurin Auxéméry, Programador do Montreal International Jazz Festival, entre outros.

Na área de sync & branding, a gente continua com a parceria com o Mario di Poi, da Inputsom Arte Sonora, que é o curador desse setor e também um profissional que vem atuando fortemente para ajudar profissionais de todo o Brasil. Recentemente, ele esteve nos Estados Unidos fazendo contatos com diretores musicais e music supervisors que trabalham especialmente com produção audiovisual e publicitária em Hollywood. Já confirmamos a presença de profissionais que participaram das trilhas de filmes como Creed 2 e Next Gen, incluindo Jen Malone, indicada ao Emmy por sua atuação como music supervisor da série Atlanta.

Daniela: Na edição passada havia uma área de showcases que esse ano vocês estão chamando de BMS Festival. Como vai funcionar?

Leandro: Este ano nós quisemos aumentar a área de showcases e chamá-la de BMS Festival, pois não se trata de um simples showcase – estamos falando de ter artistas que representam o potencial de exportação da música brasileira. Não só para dar mais possibilidade dos nossos convidados internacionais conhecerem os artistas, mas também para oferecer aos paulistanos uma oportunidade única de curtir os seus cantores e bandas preferidos de forma gratuita, além de conhecer novos nomes da música brasileira. Consideramos que também temos essa missão de difundir os nomes da nossa música, especialmente da independente, no próprio Brasil.

Daniela: Comente sobre as inscrições e os valores.

Leandro: Conseguimos um valor acessível para as credenciais, principalmente por conta da parceria com a Apex-Brasil. Acredito que dessa maneira não pesará para os profissionais de música, e dará a possibilidade para que todos os interessados possam participar. As inscrições estão abertas no site, com valor promocional até o dia 16 de dezembro. O conselho que eu dou é que quem realmente tiver interesse em participar já se inscreva. Além disso, damos a possibilidade para as pessoas que trabalham só em uma área, como live music, ou sync & branding, de irem apenas nos dias em que falaremos sobre esses temas (6 e 7 de fevereiro – sync & branding, 8 e 9 de fevereiro – live music). Para os associados, damos a facilidade de converter os pontos da anuidade para serem usados nas ações da BM&A, como por exemplo, nas credenciais para o Brasil Music Summit.

Uma coisa que é bem interessante do nosso encontro é que também temos uma área online – o BMS Networking, em que os credenciados conseguem falar entre si, para agendar reuniões por exemplo e, assim, potencializar suas possibilidades de negócios.

SOBRE O BME

O Brasil Music Exchange (BME), projeto de exportação de música brasileira realizado por meio de uma parceria entre a Brasil, Música & Artes (BM&A) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), promove o Brasil Music Summit.

BMS abre inscrições para 2a edição

Brasil Música & Artes abre inscrições para a 2ª edição do Brasil Music Summit

A Brasil Música & Artes abre inscrições para o Brasil Music Summit (BMS), evento para profissionais de música voltado para a geração de negócios internacionais, que acontece em São Paulo, na Unibes Cultural, de 6 a 9 de fevereiro de 2019. A programação, que tem o objetivo de fornecer conteúdo e gerar negócios, traz uma novidade: além de conteúdos de sync e music branding, debatidos na edição de dezembro de 2017, haverá dois dias dedicados ao tema live music. A primeira leva de credenciamento com desconto pode ser feita até 16 de dezembro pelo site.

O BMS é organizado com o suporte do Brasil Music Exchange, programa de exportação de música brasileira realizado por meio de uma parceria entre a BM&A e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

A curadoria dos convidados internacionais é liderada por Leandro Ribeiro, gerente de projetos da BM&A, e conta com a contribuição voluntária de dois associados importantes da BM&A: o diretor executivo da Inputsom Arte Sonora, Mario Di Poi, especialista em sincronização e música original, e o gerente executivo da Urban Jungle, André Bourgeois, especialista em gestão de carreira internacional. Dessa maneira, ambos têm a atribuição do Diretores de Programação do BMS: André na parte de live music e Mário em sync e music branding.

“A primeira edição do BMS foi muito exitosa, recebemos cerca de 250 profissionais brasileiros para debater sync e branding durante dois dias. Muitos dos que vieram nos pediram para incluirmos live music na programação. Por isso, decidimos aumentar para quatro dias, dedicando 8 e 9 de fevereiro especialmente para esse tema”, detalha Leandro. E completa: “o BMS é o único evento de música que, embora aconteça no Brasil, tem foco praticamente de 100% em exportação de música nas suas mais variadas possibilidades”.

Na edição 2019, está prevista a presença de aproximadamente 30 profissionais internacionais, que participarão não só dos painéis, mas também das rodadas de negócios, workshops e ações de networking com empresas brasileiras. Até o momento, onze nomes já estão confirmados, seis em live music e cinco em sync e branding.

A programação de sync e branding, nos dias 6 e 7 de fevereiro, inclui diretores musicais e music supervisors que trabalham especialmente com produção audiovisual e publicitária em Hollywood, nos Estados Unidos. Também haverá a presença do francês Benoit Dunaigre, fundador e head de som e música da agência HAVAS | HRCLS. “Entre os nomes, estão profissionais que participaram das trilhas de filmes como Creed e Next Gen, incluindo Jen Malone, indicada ao Emmy por sua atuação como music supervisor de Creed 2”, detalha Mario Di Poi.

“Na área de live music, temos diretores de programação de importantes festivais da França e do Canadá, como o Festival d’été de Québec, Festival Rencontres Trans Musicales, Les Escales Festival, Festival POP Montréal e Montreal International Jazz Festival. Estamos buscando ainda mais eventos interessantes da Europa e da América do Norte. Tenho certeza que geraremos muitas oportunidades para os brasileiros. Jérôme Gaboriau do Festival Les Escales, por exemplo, já comentou que deseja selecionar bandas brasileiras para realizar um lineup especial em homenagem ao país na próxima edição”, explica André Bourgeois.

 

Festival

O evento terá uma área de festival, com apresentações de bandas e artistas brasileiros, que serão selecionados por uma curadoria de profissionais do mercado nacional e internacional. Na edição anterior, o lineup contou com oito apresentações de artistas como Emicida e Bixiga 70.

“Percebemos que uma das principais barreiras para a presença de brasileiros em festivais internacionais é a necessidade de recursos financeiros para a logística das bandas. Por isso, a BM&A também tem planos de auxiliar os artistas selecionados durante o evento”, finaliza Leandro.

Para se inscrever na seletiva para o festival, acesse o site.

Para mais informações e inscrições, visite o site do evento.

 

SOBRE O BME

O Brasil Music Exchange (BME) é um projeto de auxílio à exportação de música desenvolvido desde 2002 por meio de uma parceria entre a Brasil Música & Artes (BM&A) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Para essa finalidade, o BME realiza diversas atividades de promoção de negócios e imagem internacional.